O Quinta Juriscultural, que integra o portfólio de projetos da gestão 2021-2023 do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), chegou à décima edição após ser iniciado em julho do ano passado. Dessa vez, os 200 anos da independência de Sergipe, que ocorreu em 8 de julho de 2020, foi o tema do evento realizado no final da tarde desta quinta-feira, 26/05, no Memorial do Judiciário, Centro de Aracaju. Além do lançamento de livro sobre o tema, houve apresentação do grupo folclórico Samba de Pareia da Mussuca (Laranjeiras/SE).
“Sergipe guarda importantes tradições e tem grandes vultos. Então, esse evento em que se comemora a história de Sergipe deve ser realmente prestigiado por todos que gostam do nosso querido Estado. O Projeto Quinta Juriscultural vem dado certo porque o público tem acolhido e valorizado a cultura e a arte de Sergipe. E o Poder Judiciário está consciente que só se legitima com a participação da população nos seus eventos”, comentou o Desembargador Edson Ulisses de Melo, Presidente do Poder Judiciário de Sergipe.
O livro lançado hoje, ‘Clio Digital: Memórias e Histórias de Sergipe - 200 anos da independência de Sergipe, Volume I’, foi organizado pelo prof. Dr. Antonio Lindvaldo Sousa, do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS). A obra é resultado do evento Clio Digital, realizado em 2020 durante as comemorações dos 200 anos da emancipação política de Sergipe.
“Em 2020, vários autores aliaram-se em torno do tema. O professor Lindvaldo coordenou, por diversos sábados, o Clio Digital, com palestras de pesquisadores que foram transformadas em artigos. Hoje, está sendo publicado o Volume I. Mais uma vez, o Memorial abre suas portas junto à academia para levar informação para os sergipanos. Há dois anos, estamos trabalhando nesse projeto dos 200 anos de Sergipe, não só com esse livro, mas também com oficinas de paleografia, exposições e eventos”, disse Sayonara Viana, Diretora do Memorial do Judiciário.
O livro contém textos que versam sobre temáticas da formação inicial de Sergipe. Um deles foi escrito pela professora doutra da Universidade de Évora, Maria de Deus Manso, no qual enxerga a Capitania de Sergipe como uma localidade pertencente ao império português. Outros textos oferecem leituras diferenciadas sobre a conquista de Sergipe em 1590, sujeitos e distinções sociais, povos indígenas, arqueologia e religiosidades.
O artigo do professor Lindvaldo faz um apanhado dos clássicos a respeito da história de Sergipe. “O meu artigo dialoga com uma frase de Felisbelo Freire. No final do século XIX, ele escreveu que a história de Sergipe deveria ser conhecida pelo mundo. De lá para cá, vários livros foram publicados mas, infelizmente, essa máxima dele ainda não aconteceu. A historiografia do Brasil e do Império Português desconhece Sergipe, escreve muito mais para o eixo Rio-São Paulo e, quando chega próximo da gente, sobre Bahia e Pernambuco. Então, esse artigo procura colocar Sergipe num lugar importante da história do Brasil”, informou o professor.
Após a mesa-redonda com a participação dos organizadores e autores do livro, foi realizada uma sessão de autógrafos. “Essa parceria com o Poder Judiciário vem de muito tempo. Foi sempre importante com outros diretores do Memorial e agora com Sayonara. Quando falamos do Memorial e do Arquivo Judiciário, estamos falando também da história de Sergipe”, destacou o professor, lembrando que já foi estagiário do Arquivo Judiciário.
O evento foi finalizado apresentação do grupo folclórico Samba de Pareia da Mussuca. O Projeto Quinta Juriscultural, que acontece sempre às últimas quintas-feiras de cada mês, teve sua primeira edição em julho de 2021. Tem como objetivo valorizar e levar ao público todas as expressões artísticas e culturais de Sergipe nas suas mais variadas formas, tais como música, artes plásticas, literatura, dança, fotografia, artesanato e folclore. Além disso, cultuar e propagar valores e figuras exponenciais de Sergipe ligadas às artes e à cultura jurídica.