Ritmo tipicamente brasileiro, o chorinho foi o grande homenageado no Projeto Quinta Juriscultural. A nona edição do evento foi realizada na noite desta quinta-feira, 28/04, no Memorial do Judiciário, contando com palestra ‘Caminhos do Choro’, ministrada pelo radialista Sérgio Thadeu Poderoso Cruz, e apresentação do conjunto Choro em Movimento. O Dia Nacional do Chorinho foi celebrado em 23 de abril.
“O Quinta Juriscultural valoriza todas as linguagens. E, este mês, como foi celebrado o Dia Nacional do Choro, decidimos trazer música ao projeto. Buscamos valorizar os grupos de Choro existentes em Sergipe, trazendo não só a apresentação musical, mas também uma palestra sobre o tema”, salientou Sayonara Viana, Diretora do Memorial do Judiciário, que juntamente com Maria do Carmo Deda Chagas de Melo é a curadora do Quinta Juriscultural.
Conforme o radialista Sérgio Thadeu, o Choro nasceu no Rio de Janeiro, em meados do século XIX. “A Corte Portuguesa trouxe muita coisa da Europa, como danças e instrumentos, em especial os pianos. Assim, o Rio de Janeiro ficou conhecido como a cidade dos pianos. Na elite da época, fazia-se necessário que alguém tocasse piano para reunir a família. Chiquinha Gonzaga foi a primeira mulher a tocar piano no Brasil”, destacou o radialista.
Durante a palestra, ele contou que Chiquinha tinha um grupo de Choro com Antônio Callado, que compôs ‘Flor Amorosa’ e é considerado o pai do Choro. “Dentro desse universo, o maior de todos chorões foi Pixinguinha, que cresceu na pensão do pai, onde vários músicos transitavam por lá. Sua primeira composição foi feita aos 4 anos de idade. Aos 14 anos, ele já era músico profissional”, revelou Sérgio Thadeu.
Ainda segundo o radialista, Pixinguinha modernizou o choro. “Por ser de origem negra, ele frequentava a casa das tias baianas. Nos anos de 1910, 1920, o samba não era bem visto. Na sala, o choro. No quintal, o samba. Mas Pixinguinha transitava nesses dois ambientes e levou para o Choro a parte de percussão, o pandeiro. Ele foi compositor, flautista, saxofonista, arranjador, maestro e compôs mais de duas mil músicas”, salientou Sérgio Thadeu, que começou a estudar sobre Choro influenciado pelo pai, o radialista Tadeu Cruz.
O Programa Domingo no Clube nasceu com Tadeu Cruz na Rádio Cultura, em setembro 1985, e já homenageava o Choro. “Meu pai ficou à frente desse programa durante 21 anos, até falecer, em 2006. Depois, eu me senti impulsionado a tocar a obra. Segundo um historiador de São Paulo, Antônio Amaral, o programa é o mais antigo em atividade no Brasil. Vamos para 37 anos ininterruptos”, informou Sérgio Thadeu. O programa é transmitido todos dos domingos, das 10 às 12 horas, na Rádio Aperipê, e ainda tem como carro-chefe o Chorinho.
Em Sergipe, estima-se que existam cerca de 12 grupos de Choro. Um deles é o Choro em Movimento, que se apresentou hoje no Memorial. É formado pelos músicos Odir Caius, na flauta; Difan Oliveira, no bandolim de 10 cordas; Rivaldo Tabaréu, violão de 7 cordas; e Inácio, no pandeiro. “Ainda bem que existem músicos em Sergipe que ostentam essa bandeira do Choro. Para nós, esse momento é muito importante porque apresentamos clássicos do Choro. Parabéns ao Memorial que teve essa iniciativa”, elogiou Odir Caius.
O Projeto Quinta Juriscultural, realizado sempre na última quinta-feira de cada mês, foi lançado em julho de 2021. O objetivo principal é valorizar e levar ao público todas as expressões artísticas e culturais de Sergipe.
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