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Quinta, 31 Março 2022 21:12

Quinta Juriscultural celebra 432 anos de São Cristóvão

‘São Cristóvão, 432 anos: relicário da arte, da fé e da história’ foi o tema da exposição aberta na noite desta quinta-feira, 31/03, no Memorial do Judiciário, localizado no Centro de Aracaju. São 35 obras que poderão ser visitadas pela população até o final do mês de maio. Ainda durante a edição do projeto Quinta Juriscultural, foi realizada a sessão solene de posse de cinco novos membros da Confraria Sancristovense de História e Memória; e apresentação do grupo folclórico Caceteiras do Mestre Rindu.

“O Tribunal de Justiça, através do Memorial, abre suas portas para prestigiar a arte e a cultura. O foco desta edição da Quinta Juriscultural é nossa cidade-mãe, São Cristóvão, que completa 432 anos. O papel que o Tribunal assume nessa gestão é o de valorizar a cultura e a cidadania porque cultura é também cidadania, mostrando à população a importância da história, para que possamos projetar o futuro meditando sobre o passado”, salientou o Desembargador Edson Ulisses de Melo, Presidente do Poder Judiciário de Sergipe.

Conforme a Diretora do Memorial, Sayonara Viana, em 2022, além da celebração dos 432 anos de São Cristóvão, também se comemora os 50 anos do Festival de Arte e Cultura da cidade, o Fasc, e o centenário do poeta sancristovense Manoel Ferreira. “Todas as obras aqui expostas ressaltam o patrimônio material e imaterial de São Cristóvão, seu folclore e a sua cultura popular estão evidenciados, trazendo à cena essa cidade emblemática de Sergipe, que tem uma grande tradição religiosa, mas também com heranças indígenas, africanas e europeias”, explicou.

Uma das expositoras é a artesã Maria Lourdes de Jesus Silva, que confecciona bonecas de pano temáticas, alusivas a grupos folclóricos de Sergipe. Ela aprendeu o ofício em um curso, em 2011, quando a professora Aglaé Fontes era a Secretária de Cultura de São Cristóvão. “Desde então, eu me identifiquei e faço essas bonecas temáticas. É uma felicidade muito grande expor essas bonecas hoje aqui, um reconhecimento ao meu trabalho”, agradeceu.

Outra atração da exposição é um tapete devocional confeccionado por Vânia Correia e Jorge Luiz Barros, com um símbolo franciscano. Os tapetes são marca registrada na cultura sancristovense e são confeccionados pelos moradores, nas ruas da cidade, durante a celebração do Corpus Christi. A exposição traz ainda uma imagem de roca de Nossa Senhora da Vitória, confeccionada por Manoel Serapião Pereira Leite, em 1852. O curioso é que a imagem tem os braços articulados, para facilitar a troca das roupas a cada data do calendário católico.

A aquarela produzida por Jean Carlo, artista visual e designer gráfico, revelou ainda mais curiosidades sobre a imagem da santa. “Essas imagens de roca, além de articuladas, não são totalmente esculpidas. Da cintura para cima, uma escultura. Da cintura para baixo, uma espécie de gaiola. São imagens de vestir, que geralmente estão cobertas por muitas roupas. E eram locais também usados para guardar pertences particulares dos donos dessas imagens. Isso chamou muito minha atenção”, explicou Jean.

Confraria

A Confraria Sancristovense de História e Memória – criada em 2021 e que contava até então com 13 membros, entre eles o Desembargador Edson Ulisses de Melo e Sayonara Viana – empossou e diplomou, nesta noite, mais cinco pessoas: Maria do Carmo Déda Chagas de Melo, advogada e curadora de arte; Verônica Maria Meneses Nunes, doutora em Arqueologia; Frei Pedro Rangel Trajano Lins, religioso carmelita e atual vigário da igreja matriz de São Cristóvão; Suênio Walttemberg, advogado e membro da Academia Sergipana de Letras; e Daniel Menezes de Jesus, historiador.

“Nossa maior felicidade é a qualidade desses novos empossados, a nata de cada área. Aos poucos, esse grupo preencherá lacunas que a Confraria tanto precisa”, comentou Adailton Andrade, Presidente da Confraria Sancristovense de História e Memória. “O sentimento hoje é de honra e gratidão por poder contribuir com a Confraria”, enfatizou a advogada e curadora Maria do Carmo. “Vamos estudar a cultura sancristovense, que tem um valor estético, moral e cultural, e isso é grandioso porque São Cristóvão é a cidade-mãe de Sergipe”, completou Suênio.

Ainda foi concedida outorga de Membro Honorário, pela contribuição para a implantação da Confraria, a Marcos Antônio de Azevedo Santana, Prefeito de São Cristóvão; Paulo Roberto Santana Júnior, Vice-Prefeito e Secretário de Governo; e Lucas Diego Santos, Presidente da Câmara Municipal.

Folclore

“Eu tomei água de coco, misturada com caju. Eu saí de São Cristóvão pra brincar em Aracaju”. O verso é um dos mais cantados pelo tradicional grupo folclórico Caceteiras do Mestre Rindu, que encerrou a programação da Quinta Juriscultural. Segundo a coordenadora, Maria Acácia dos Santos, o grupo existe há mais de 160 anos, passando de geração a geração a cultura da celebração dos santos do ciclo junino. “A gente fica muito alegre de estar aqui hoje porque passamos muito tempo paradas, por causa da pandemia”, comentou. Ainda houve apresentação do músico Matheus Santana.

Informações adicionais

  • Fotografias: Raphael Faria / Dicom TJSE

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