Quarta, 16 Março 2022 11:04

Arquivo Judiciário celebra Mudança da Capital e homenageia João Bebe Água com palestra

Aracaju completa, nesta quinta-feira, 17 de março, 167 anos. E para marcar a data, o Arquivo Judiciário realizou, na manhã de hoje, 16/03, um evento em homenagem à Mudança da Capital e à João Bebe Água. O Presidente da Confraria Sancristovense de História e Memória e Diretor do Arquivo Público Municipal de São Cristóvão, o historiador Adailton dos Santos Andrade, ministrou a palestra ‘João Bebe Água: o outro lado da história - novas abordagens encontradas na documentação do Arquivo Judiciário de Sergipe e das ordens religiosas de São Cristóvão’.

A Diretora do Arquivo Judiciário, Mônica Porto, disse que a instituição não poderia deixar de comemorar um evento histórico. “Muitas pessoas acham que João Bebe Água era um ébrio, mas na realidade ele tem uma história muito diferente da que nos foi contada”, enfatizou a Diretora. Para Mônica, a atual gestão do Tribunal de Justiça de Sergipe tem feito um relevante resgate da história do Estado. “O Presidente Edson Ulisses tem um olhar para a memória, para que o povo conheça nossa história e comece a se orgulhar de ser sergipano”, considerou.

Segundo a Chefe da Divisão de Memória Judiciária do Arquivo, Maíra Paim, o evento marca a mudança da capital da perspectiva sancristovense. “A gente queria dar voz ao povo de São Cristóvão, saber um pouco o lado deles porque sempre ouvimos o lado de Aracaju. Adailton traz justamente a mudança da capital vista pelos moradores de São Cristóvão e a figura de João Bebe Água”, salientou Maíra, lembrando que o Arquivo guarda não só documentos jurídicos, mas também históricos.

“Pela primeira vez, estamos materializando a história de João Bebe Água, que estava apenas no imaginário do povo sergipano. Não se tinha uma foto e nenhum documento assinado por ele, que foi uma figura controversa e alvo de muitas lendas totalmente deturpadas. Diziam que ele foi problemático, cachaceiro, sem credibilidade e, com isso, não teve sucesso ao tentar evitar que São Cristóvão perdesse o status de capital de Sergipe”, explicou Adailton.

Documentos encontrados por historiadores, incluindo Adailton, mostram um lado totalmente oposto de João Bebe Água. “A documentação existente no Memorial e no Arquivo do Poder Judiciário mostra que ele foi Presidente da Câmara de Vereadores, Presidente da Mesa de Rendas, que seria hoje um Secretário da Fazenda, foi Juiz de Paz e, mais ainda, foi Presidente da Irmandade dos Homens Pardos do Amparo, que exigia uma vida consagrada, sem beber, sem fumar, sem relacionamentos fora de casa. Então, imagine ser o Presidente dessa Ordem?”, indagou Adailton.

O evento contou ainda com a apresentação do grupo de Chegança de São Cristóvão. “O grupo original era composto só por homens, mas meu pai decidiu inserir mulheres porque alguns homens já não queriam mais assumir a responsabilidade. Para cidade, acho importante ter esse grupo, para mantermos a tradição. E, pessoalmente, para mim é uma grande honra assumir o papel do meu pai, que já faleceu e era conhecido como Chico da Chegança”, contou Ana Cláudia, coordenadora do grupo. A Chegança representa uma contenda entre cristãos e mouros, com cantos e embaixadas, na qual os mouros são vencidos e a fé cristã é exaltada.


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  • Fotografias: Raphael Faria / Dicom TJSE