"São Cristóvão, 432 anos: relicário da arte, da fé e da história" foi o tema de mais uma edição do Projeto Quinta Juriscultural, realizado na manhã desta quinta-feira, 24/02, por meio de videoconferência, com transmissão no canal TJSE Eventos, no YouTube, onde ficou gravado. Na ocasião, foi realizado um minicurso com pesquisadores que falaram sobre o patrimônio e bens culturais, música, religiosidade e festas da quarta cidade mais antiga do Brasil.
“Motivados pela pandemia, preservando as vidas, estamos realizando essa edição do projeto por videoconferência. Hoje, temos como enfoque nossa cidade-mãe, São Cristóvão, que muitas vezes não é lembrada. É uma cidade tombada como patrimônio da humanidade e os palestrantes têm expertise para trazer ao público toda a riqueza de São Cristóvão”, comentou o Desembargador Edson Ulisses de Melo, Presidente do Poder Judiciário.
A Diretora do Memorial do Judiciário lembrou que outras ações serão realizadas em homenagem ao aniversário da cidade. “Esse projeto contempla não só as palestras de hoje, com esses pesquisadores que têm São Cristóvão como objeto de estudo, mas também teremos oficinas de paleografia, com documentos relativos à cidade. E no dia 31 de março, faremos a abertura da exposição também com esse título, além da posse dos novos confrades da Academia Sancristovense de Letras, de História e Memória”, explicou Sayonara Viana.
Segundo uma das curadoras do evento, Maria do Carmo Déda Chagas de Melo, o Projeto Quinta Juriscultural cumpre uma missão importante. “Resgata a memória de Sergipe, permitindo que ela não se perca e que, principalmente, a juventude a conheça. É uma honra enorme participar desse evento como curadora e contribuir com o conhecimento”, ressaltou a curadora, lembrando que já foram homenageados Armindo Guaraná, Sílvio Romero, Arthur Fortes, Adauto Machado, entre outros ilustres sergipanos.
A primeira palestrante foi Flávia Klausing, doutora em Museologia e Chefe do Escritório Técnico do Iphan em São Cristóvão, que falou sobre "A patrimonialização da cidade de São Cristóvão e seus bens culturais". “São Cristóvão é uma das cidades mais antigas do Brasil e tem um patrimônio diversificado, que traz desde o acervo arquitetônico, paisagístico, monumentos, festas, um patrimônio natural muito grande. Então, como lidar com essa diversidade e trabalhar de forma com que a população seja incluída?”, questionou Flávia.
A pesquisadora informou que em 1938, o governo de Sergipe, através do Decreto-Lei 94, já reconhecia São Cristóvão como conjunto urbanístico, paisagístico e arquitetônico elevado à categoria de monumento estadual e nacional. Em 2010, a Praça São Francisco foi reconhecida, pela Unesco, como Patrimônio da Humanidade. “Um dos critérios foi por ser um registro íntegro e autêntico de uma urbanização feita no período da união da Coroa espanhola com a portuguesa, sob o Reinado de Felipe II”, explicou Flávia.
Em seguida, a Profa. Dra. Thais Maciel falou sobre a música em São Cristóvão entre os anos de 1820 e 1889. “Falo sobre algumas corporações musicais, músicos e repertórios que conseguimos levantar ao longo da pesquisa. Destaco duas bandas, a primeira delas do Corpo Policial, que remete à década de 1840 e tem atuação muito grande em diversos eventos da cidade. A outra era a Sociedade Filarmônica Sancristovense, da década de 1870”, contou a professora, que destacou entre os músicos o Frei José de Santa Cecília (1809-1859), autor do Hino de Sergipe e também orador sacro, poeta e professor.
Por fim, o Prof. Dr. Claudefranklin Santos ministrou uma palestra com o tema "Na terra da fé de Sergipe, a alegria do Carnaval". “Encontrei uma nota, do dia 12 de fevereiro de 1953, do Jornal Correio de Aracaju, intitulada ‘Momo visitará São Cristóvão’. Então, o Carnaval praticado em São Cristóvão ainda tinha aquela influencia típica de Carnaval de rua, que era o Carnaval de charanga, da turma correndo atrás das orquestras”, disse o pesquisador. Ele ainda falou sobre o Carnaval do Mestre Jorge, que fundou em São Cristóvão, em 2000, o Grupo União, que integra folguedos locais com a festa carnavalesca, utilizando fantasias e estandartes.
O Projeto Quinta Juriscultural, realizado sempre na última quinta-feira de cada mês, foi lançado em julho de 2021. O objetivo principal é valorizar e levar ao público todas as expressões artísticas e culturais de Sergipe.
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