A sexta e última edição de 2021 do Projeto Quinta Juriscultural foi realizada no final da tarde desta quinta-feira, 16/12, no Auditório José Rollemberg Leite, no Palácio da Justiça Tobias Barreto, no Centro de Aracaju. A edição foi especial, com uma Sessão Solene de Outorga da Medalha Armindo Guaraná, criada pela atual gestão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) e destinada a autoridades públicas, civis, militares e servidores do Poder Judiciário que tenham se destacado nas áreas da cultura, cidadania e preservação da memória. O evento foi transmitido pelo canal TJSE Eventos, no YouTube, onde ficou gravado.
“O Tribunal de Justiça encerra suas atividades judiciárias deste ano amanhã e hoje estamos fazendo uma homenagem a um grande sergipano, que é Armindo Guaraná. Ele se notabilizou pela cultura e dedicação ao trabalho literário. Então, nada mais justo que resgatar o nome dessa figura emblemática e talentosa. Por isso, foram escolhidas pessoas do mesmo patamar de zelo pela cultura sergipana para serem contempladas com essa medalha”, explicou o Desembargador Edson Ulisses de Melo, Presidente do Poder Judiciário de Sergipe.
Conforme a Diretora do Memorial do Judiciário, Sayonara Viana, o Projeto Quinta Juriscultural tem como principal objetivo valorizar a cultura sergipana. “Com essa Medalha, fechamos o ano, já preparando uma programação especial para 2022, quando o Tribunal vai comemorar 130 anos de instalação. O sergipano tem que valorizar sua cultura, lembrar quem foi Armindo Guaraná, que escreveu um dicionário até hoje não superado no sentido da pesquisa”, disse.
A Medalha Armindo Guaraná foi instituída pelo TJSE através da Portaria Normativa 71/2021. A medida considerou o compromisso das instituições com a história e com a preservação da memória daqueles que dedicaram suas produções intelectuais à sociedade.
O Presidente do Poder Legislativo de Sergipe, deputado Luciano Bispo, prestigiou a solenidade. “Parabenizo o Desembargador Edson Ulisses pelo resgate da cultura sergipana, homenageando pessoas que se dedicaram a isso. Nesse país, a cultura e história dos seus filhos não são muito valorizadas. Então, o Desembargador Edson retoma essa valorização com a Medalha Armindo Guaraná”, elogiou o parlamentar.
Homenageados
Entre os magistrados, foram agraciados com a Medalha Armindo Guaraná os Desembargadores Edson Ulisses de Melo, Presidente do TJSE; Ana Lúcia Freire de Almeida dos Anjos, Vice-Presidente do TJSE; José dos Anjos, Elvira Maria de Almeida Silva; Maria Angélica França e Souza; e José Artêmio Barreto, ex-Presidente do Poder Judiciário de Sergipe.
Ainda foram homenageados com a medalha Lucas Barreto, em nome da família do escritor Luiz Antônio Barreto (in memoriam); os professores José Ibarê Costa Dantas, representado pelo seu neto Rodrigo Dantas; Jorge Carvalho do Nascimento; Jouberto Uchôa, representado por Saumínio Nascimento; Verônica Maria Meneses Nunes; e Ádria de Araújo Ramos Lavres.
A escritora Aglaé Fontes, o arquiteto Ézio Déda, o escritor Jackson da Silva Lima (representado por Lucas Barreto), o Juiz Aposentado José Anderson Nascimento, o jornalista Luiz Eduardo Costa e o memorialista Murilo Melins também receberam a Medalha Armindo Guaraná.
O professor Jorge Carvalho falou em nome dos homenageados e proferiu a palestra ‘Armindo Guaraná: um jurista na transição Império/República’. “Armindo Guaraná é um dos nomes mais importantes da vida intelectual de Sergipe. Foi um grande intelectual do Direito num momento difícil da vida jurídica brasileira, que foi a transição do Império para a República. Com a República, todo ordenamento jurídico do país mudou e ele teve que atuar como juiz federal no Estado do Ceará”, destacou o professor, que durante a palestra falou sobre vários aspectos da vida do intelectual sergipano.
Ézio Déda, Superintendente do Instituto Banese, disse que foi uma honra receber a medalha. “Para mim receber essa comenda é um reconhecimento do Tribunal ao meu trabalho”, agradeceu. A professora Ádria Lavres, que foi Presidente do Conselho Estadual de Cultura, disse que a solenidade de hoje foi muito significativa.
Já a professora Verônica Nunes lembrou que o Dicionário Biobibliográfico Sergipano, de autoria de Armindo Guaraná, é uma das obras mais importantes para a história de Sergipe. “Esse dicionário fez um levantamento que até o presente nos serve de referência quando queremos pesquisar sobre algum personagem. É uma obra que deveria ser reeditada, mesmo que não fosse revisada e atualizada, para que as novas gerações conheçam esse trabalho feito no início do século XX”, sugeriu a professora Verônica, do curso de Museologia da UFS.
Armindo Guaraná
Manoel Armindo Cordeiro Guaraná nasceu em São Cristóvão (SE), em 04 de agosto de 1848. Faleceu em Aracaju (SE), em 10 de maio de 1924. Filho de tradicional família são-cristovense, sendo seus pais Teodoro Cordeiro Guaraná e Andrelina Muniz de Menezes Guaraná Cordeiro, entre seus irmãos, destaca-se o General Cordeiro Guaraná, que atuou na Guerra do Paraguai.
Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, no ano de 1871, tendo transitado entre o Império e a República, ocupando variadas funções relativas à Justiça. Foi Promotor, Juiz de Província, Juiz de Casamento, Juiz Federal, Procurador Federal, advogado e Professor de Latim no Liceu Piauense e do Ceará.
Atuou como Jornalista, tendo publicado em diversos jornais. Elaborou o ‘Catálogo da Imprensa em Sergipe’, publicado em 1908, no número especial da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Colaborou com Sacramento Blake na redação do Dicionário Biobibliográfico Brasileiro. Em sua obra póstuma, o Dicionário Biobibliográfico Sergipano, publicado em 1925, foram reunidas mais de 640 biografias de sergipanos.
Foi condecorado com o Busto e Medalha ‘Libertador Simon Bolívar’, pelo Governo da Venezuela, e com a Medalha de Ouro da Societé Academique d’Histoire, de Paris. É Patrono da Cadeira nº 05 da Academia Sergipana de Letras e da Cadeira n° 21 da Academia de Letras Jurídicas.