‘O poeta da rosa vermelha’. Assim era conhecido Arthur Gentil Fortes, nascido em Aracaju (SE), em 28 de julho de 1881. Além de poeta, foi professor de História e Francês nos colégios Atheneu Sergipense e Tobias Barreto, e ainda deputado estadual (1923-1925). Para marcar seus 140 anos de nascimento, o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) o homenageou, na tarde desta quinta-feira, 28/10, durante a quarta edição do Projeto Quinta Juriscultural, no Memorial do Judiciário.
“Esse projeto valoriza a memória e a arte de Sergipe. Nossa gestão elegeu como eixo a divulgação da nossa cultura. Esse projeto tem dado certo porque valoriza os artistas sergipanos”, destacou o Desembargador Edson Ulisses de Melo, Presidente do Poder Judiciário. A Diretora de Memorial, Sayonara Viana, lembrou que outubro é o mês da sergipanidade. “Como Arthur Fortes é sergipano e está completando 140 anos de nascimento, decidimos revisitar sua obra”, explicou Sayonara, que é a curadora do projeto, juntamente com Maria do Carmo Déda Chagas.
O sarau foi iniciado com uma performance do ator Luca Piñeyro, que é diretor do grupo Palco dos Sonhos. Ele recitou uma poesia de Arthur Fortes, interpretando o próprio poeta. Em seguida, foi a vez da declamação do escritor Antônio Francisco de Jesus, o Saracura, que ocupa, desde 2016, a cadeira de número 10 da Academia Sergipana de Letras, fundada por Arthur Fortes. “É uma cadeira que sempre foi ocupada por poetas. Foi fundada por Arthur Fortes, depois ocupada por Severino Uchoa e, antes de mim, Hunald de Alencar”, explicou o escritor.
Considerado um poeta romântico, não se sabe ao certo o motivo de Arthur Fortes sempre usar uma rosa vermelha na lapela do terno. “É uma história um pouco enigmática. Algumas pessoas achavam que era por causa de uma namorada que ele tinha. Mas ele era muito ligado à História e Severino Uchoa conta que foi devido à Revolução Francesa, uma homenagem aos heróis. Todo mundo queria saber o porquê da rosa, mas ele nunca disse o motivo”, esclareceu Saracura, lembrando que no sábado, 30/10, estará na Feira Literária de Itabaiana.
“Espera triste o beijo da alegria / Linda amante gentil de loira trança / Como nós te esperamos noite e dia / No castelo doirado da esperança. Para aquele que vês de altivas frontes / Por ti cheios de amor e de carinhos / És como a luz do sol que doira os montes / Acorda os campos e desperta os ninhos”, foi o trecho de um dos poemas de Arthur Fortes declamado por Saracura.
Ainda participaram do sarau Gabriel de Queiroz, poeta e Coordenador do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão; Ronaldson Sousa, poeta, escritor e servidor do TJSE; Igor Salmeron, sociólogo; e o professor Osvaldo Ferreira Neto. As apresentações musicais foram feitas por Emanuel Vasconcelos, Marina Nunes e Miguel Bruno Soares Silva, servidor do TJSE. “Para mim é um privilégio poder mostrar um pouco do que faço fora do ambiente de trabalho. A música é uma das minhas paixões”, salientou Miguel.
Em seu repertório, ele apresentou uma canção autoral intitulada ‘O caminho é mesmo um fim’. “Sou um entusiasta da cultura alternativa local. Acho que as instituições, nesse caso o Tribunal de Justiça, devem favorecer o florescimento cultural. A sociedade só tem a ganhar, não só o público interno, mas o externo também, visitando esse espaço que é tão bonito e que muita gente não conhece”, opinou Miguel, referindo-se ao prédio centenário que abriga o Memorial, localizado à Praça Olímpio Campos, Centro de Aracaju.
O Projeto Quinta Juriscultural, realizado sempre na última quinta-feira de cada mês, foi lançado em julho deste ano. O objetivo principal é valorizar e levar ao público todas as expressões artísticas e culturais de Sergipe, nas suas mais variadas formas, tais como música, artes plásticas, literatura, dança, fotografia, artesanato e folclore. Já foram homenageados pelo projeto o artista plástico Adauto Machado, o povo indígena Xocó, além do jurista e folclorista sergipano Sílvio Romero.




