Quinta, 30 Setembro 2021 19:50

Sílvio Romero é o homenageado na terceira edição do Projeto Quinta Juriscultural

“Eu sou caboclo, filho da natureza, criado ao sol”. A frase de Sílvio Romero, intelectual sergipano e um dos maiores folcloristas do país, é um dos destaques da exposição ‘Filho da Natureza, criado ao Sol: 170 anos de Sílvio Romero’, aberta na tarde de hoje, 30/09, no Memorial do Judiciário. Além da exposição, a terceira edição do Projeto Quinta Juriscultural, do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), contou com a inauguração de um busto do homenageado, lançamento de um hotsite sobre o intelectual, exibição de documentário e apresentação do Reisado Baile Estrela de Dona Bizu.

O Presidente do Poder Judiciário, Desembargador Edson Ulisses de Melo, lembrou que o sergipano nascido em Lagarto, em 21 de abril de 1851, deixou um grande legado, atuando como escritor, folclorista, historiador, crítico literário, jornalista, poeta e sócio-fundador da Academia Brasileira de Letras. Sílvio Romero faleceu no Rio de Janeiro, em 18 de junho de 1914.

“Essa homenagem a Sílvio Romero está dentro de um contexto inaugurado na atual gestão, de valorização de personalidades sergipanas que estão à sombra. Nossa proposta é trazer à luz essas pessoas que precisam ser conhecidas pela juventude, revelando o que elas fizeram pela história de Sergipe. E o Memorial do Judiciário é o local adequado para valorizar essas personalidades sergipanas”, ressaltou o Presidente.

A Diretora do Memorial do Judiciário, Sayonara Viana, lembrou que o prédio, inaugurado em 1895, foi batizado de Palácio Sílvio Romero. Sobre o evento de hoje, ela destacou a importância das parcerias. “Contamos com o Instituto Histórico e Geográfico, Museu da Gente Sergipana, Biblioteca Epifânio Dória, Academia Sergipana de Letras e vários artistas que produziram obras significativas em torno desse personagem”, salientou a Diretora do Memorial, lembrando que a exposição fica aberta até dezembro e as visitas podem ser agendadas clicando aqui.

Um dos quadros da exposição é de autoria do artista plástico Bené Santana. “Fico muito honrado em representar esse sergipano, pela memória histórica e pela contribuição que ele deixou, não só em Sergipe, mas no país”, considerou o artista. A exposição conta ainda com cerca de 50 dos mais de 300 livros do acervo pessoal de Sílvio Romero, que estão sob a guarda da Biblioteca Pública Epifânio Dória. “Para nós é uma honra imensa guardar a memória bibliográfica de Sílvio Romero e sermos parceiros nesse projeto do Memorial”, disse Juciene de Jesus, Diretora da biblioteca.

O Projeto Quinta Juriscultural, criado na atual gestão, acontece sempre às últimas quintas-feiras de cada mês, no Memorial do Poder Judiciário, localizado no Centro de Aracaju, na Praça Olímpio Campos. O objetivo é valorizar as expressões artísticas e culturais de Sergipe, levando ao público atrações das mais diversas, nas áreas da música, artes plásticas, literatura, dança, fotografia, artesanato, folclore e tantas outras. Além disso, busca propagar valores e figuras exponenciais do Estado ligadas à cultura jurídica.

A Presidente da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), Conceição Vieira, prestigiou o evento. “O Tribunal mostra que além de ser ágil na análise dos processos, uma das referências no Brasil, tem a agilidade e a visão sistêmica de que precisa transcender nas informações, no conhecimento e na sua função diante da sociedade, como lembrar, enaltecer e referenciar as memórias de Sergipe”, salientou.

Sergipanidade

Na obra Parnaso Sergipano, de 1904, Sílvio Romero enalteceu seu Estado de origem e os sergipanos. “Não existe no Brazil terra onde a lyra popular seja mais sonora, o folk-lore mais rico, as festas plébeas mais animadas, as modinhas mais maviosas, as danças mais ardentes, os lundús mais chorados. O povo sergipano é amoravel, bondoso, hospitaleiro e tem o dom especial de aliar a um certo fundo de ingenuidade e acanhamento a firmeza de caracter, a veia comica e as effusões da poesia”.

O Presidente da Confraria Sancristovense de História e Memória, Adailton Andrade, falou sobre a relação entre Sílvio Romero e a sergipanidade. “A gente fica muito feliz em ver o Tribunal de Justiça fazendo uma recuperação histórica a vultos que estão esquecidos. Se perguntarmos em uma escola quem foi Sílvio Romero, ninguém sabe. No dia 24 de outubro vamos comemorar o Dia da Sergipanidade e toda essa expressão do nosso jeito de falar, comer, vestir, foi praticamente criada pelo próprio Sílvio Romero, que foi um grande estudioso do nosso folclore”, destacou Adailton.

Sendo assim, em um evento que homenageou o folclorista, não poderia faltar uma apresentação cultural. O Reisado Baile Estrela de Dona Bizu encantou os convidados, especialmente por ter entre os seus brincantes várias crianças, que certamente vão garantir a continuidade da tradição. O grupo, da cidade de Japaratuba (SE), foi fundado em 1953 por Maria Bernadina dos Santos, conhecida como dona Bizu. Há 18 anos, é a filha dela, Luciene dos Santos, quem comanda o grupo. O Reisado, folguedo de origem portuguesa, louva o nascimento de Jesus.