Componentes da ideação suicida, fatores de proteção e frases de alerta foram alguns dos tópicos abordados pela psiquiatra Cristianne Porto durante a palestra ‘Suicídio: conhecer para ajudar’, promovida pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) na manhã desta segunda-feira, 13/09. A palestra que enfatizou o Setembro Amarelo, fazendo parte do Projeto Meses Coloridos, foi transmitida pelo canal TJSE Eventos, no YouTube, onde ficou gravada.
O evento foi aberto pelo Presidente do Poder Judiciário de Sergipe, Desembargador Edson Ulisses de Melo. “Com esse projeto, o Tribunal disponibiliza uma hora de informação, um momento educativo e preventivo, não só para servidores, mas para todos que acessem nosso canal no YouTube. A atual gestão tem como proposta gerar conhecimento”, ressaltou o Presidente, lembrando que o suicídio é um mal que preocupa e tem atingido muitos jovens.
A psiquiatra, que também é especialista em terapia cognitivo comportamental e médica perita do TJSE, iniciou a palestra apresentando alguns dados. A cada 3 segundos, uma pessoa tenta o suicídio e a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio, segundo Organização Mundial da Saúde (OMS). Os casos de suicídio cresceram 60% nos últimos 45 anos e o Brasil está entre os 10 países com maior frequência de suicídio, sendo que o Sul e o Centro-Oeste são as regiões com maior índice.
Um dado que chama a atenção é que 40% a 60% das pessoas que tentam suicídio são liberadas sem avaliação ou encaminhamento psiquiátrico. “Toda tentativa de suicídio deve ser abordada pelo médico com cuidadosa avaliação e acompanhamento. Muitas vezes, a pessoa não quer morrer, está passando por um conflito que não consegue resolver de forma adequada. Mesmo esses quadros, precisam ser olhados com seriedade porque é uma pessoa que está precisando de ajuda, que precisa lidar melhor com situações conflituosas para ela”, explicou a médica.
“Boa parte dos suicídios poderia ser evitada com o tratamento adequado. Por isso, trabalhamos para mostrar a necessidade de um atendimento com psiquiatras e psicólogos. São pessoas que se tivessem aceitado um tratamento, talvez tivessem um destino diferente”, alertou a psiquiatra. Ela também falou sobre componentes da ideação suicida, entre eles, a intenção, letalidade, grau de ambivalência, duração e frequência, repetição e presença ou ausência de nota suicida.
Entre os fatores de proteção, ou seja, que podem contribuir para que o suicídio não ocorra, estão o apoio da família, religiosidade, relação terapêutica positiva, sistema de suporte (familiares e amigos), habilidade de enfrentamento e resolução de problemas e estabilidade financeira. A médica ainda falou sobre as frases de alerta, aquelas que geralmente as pessoas que pretende cometer suicídio costumam falar: "eu preferia estar morto", "não aguento mais", "ninguém pode me ajudar" e "sou um peso para os outros".
“As pessoas dão o sinal, mas no dia a dia a gente não se atenta e não dá a escuta de qualidade para o amigo ou parente. Quando a pessoa fala algo assim uma vez só isso, diante de uma situação, a gente entende que foi uma coisa de momento. Mas quando a pessoa fala coisas assim como muita frequência ou vendo as situações com mais gravidade do que elas têm, é a hora de ajudar”, salientou a psiquiatra.
E como ajudar? “Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer uma enorme diferença. Procure saber como a pessoa está, o que tem feito e como está se sentindo. Mostre que está disponível para um momento de necessidade. O suporte social é extremamente importante. Também não é recomendável falar muito da gente ou desmerecer o que a pessoa sente. Nesse diálogo o mais importante é ouvir o outro”, orientou Cristianne Porto.
Ao final da palestra, a Diretora do Centro Médico do TJSE, Luciana Nobre, agradeceu à psiquiatra pela palestra. “Uma palestra muito rica, que abordou um tema tão sensível, que é o suicídio. Mostrando como cada um de nós pode ajudar um parente, um amigo ou até mesmo um estranho”, agradeceu Luciana. Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza nacionalmente o Setembro Amarelo.




