Imprimir esta página
Terça, 13 Julho 2021 20:35

Prevenção da automutilação e do suicídio infantojuvenil é tema de live promovida pela CIJ

O que é automutilação, o que leva um jovem a pensar em suicídio e como esse problema foi potencializado durante a pandemia da Covid-19. Esses foram alguns assuntos abordados durante a live ‘Prevenção da automutilação e do suicídio infantojuvenil: um debate interdisciplinar a respeito da saúde psicológica de crianças e adolescentes’, organizada pela Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). A live foi realizada no perfil @tjseoficial, onde ficou gravada.

O moderador foi o Juiz Auxiliar da Presidência do TJSE, Paulo César Cavalcante Macedo; e as expositoras Érica Dayanne Meireles Leite (@ericameirelesleite), Médica psiquiatra, Psicogeriatra pela Unicamp e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental da Faculdade da USP de Ribeirão Preto; e Émile Dantas de Carvalho Cartaxo (@emile.cartaxo), Graduada em Direito e Mestra em Direitos Humanos pela Universidade Tiradentes.

Logo no início da live, Émile apresentou alguns números que foram inseridos na dissertação dela sobre o tema, tratados na perspectiva da vulnerabilidade em Aracaju (SE). “Conforme o Observatório Social de Aracaju, foram registrados na capital, entre 2009 e 2019, 29 casos de suicídio de adolescentes entre 12 e 19 anos. Mas sabemos que a subnotificação é muito grande porque nem todos casos chegam à rede pública”, alertou.

Ela apresentou também dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Segundo o último relatório da OMS, de 2019, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos, perdendo apenas para questões maternas. Já entre os meninos, é a terceira causa, ficando atrás somente de acidentes de trânsito e violência interpessoal. A cada 40 segundos é registrada uma morte de adolescente por suicídio. Ou seja, são dados preocupantes e precisamos conversar sobre isso”, salientou Émile.

Já a psiquiatra explicou o que é a automutilação e como ela pode estar relacionada ao suicídio infantojuvenil. “A automutilação é um comportamento em que a pessoa começa a machucar o próprio corpo. A gente ouve mais falar dos cortes, mas pode ser também batidas no corpo, perfurações, golpes, intoxicações. O suicídio está na ponta do iceberg, mas na base existem adolescentes que se automutilam. Por isso, prevenir é darmos mais atenção a essa base”, orientou.

Érica falou ainda sobre as causas que podem levar à automutilação. “De 14% a 25% dos adolescentes já se automutilaram. É um dado alarmante. Alguns fatores podem provocar isso, como frustrações, vivências de situações extremas, violências, vulnerabilidades, transtornos mentais e problemas socioeconômicos”, explicou a psiquiatra, lembrando que pais, professores, amigos e familiares devem buscar ajuda especializada no caso de suspeita de algum transtorno em crianças e adolescentes.

De acordo com a Juíza Iracy Mangueira, Coordenadora da Infância e Juventude do TJSE, o tema da live está alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de número 3 da Agenda 2030. O ODS ‘Saúde e bem-estar’ tem como propósito garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. A Agenda Global 2030 é um compromisso assumido pelo Brasil e por mais 192 países para a efetivação dos direitos humanos e a promoção do desenvolvimento sustentável. Integrar a Agenda 2030 no Poder Judiciário é a Meta Nacional 9 do Poder Judiciário Brasileiro, conforme o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Galeria de Imagens