Uma aula ao ar livre, passando por praças e prédios históricos. Foi assim que o Memorial do Judiciário comemorou o aniversário dos 165 anos de Aracaju, com professores de História e alunos do 9º ano da Escola Municipal Neuzice Barreto, da Piabeta, em Nossa Senhora do Socorro. O passeio – guiado pelos professores Osvaldo Ferreira Neto e Verônica Nunes – aconteceu na manhã desta sexta-feira, 13/03, saindo do Memorial, na Praça Olímpio Campos, passando pela Praça Fausto Cardoso, com final na Igreja São Salvador.
No Memorial, os alunos receberam informações sobre o prédio, inaugurado em 1895 para sediar o Tribunal de Relação, primeiro local do Judiciário em Sergipe. O Memorial também sediou outros órgãos, a exemplo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, onde, a partir de 1912, os intelectuais da cidade se reuniam aos finais de tarde. Servidoras do Memorial explicaram aos alunos sobre o funcionamento do Judiciário. No painel que simula um júri, eles puderem ser, por alguns segundos, juiz, promotor e jurado.
Além dos alunos, o roteiro foi acompanhado por profissionais de outras áreas. Foi o caso da guia de turismo Eva Alcântara. “É um orgulho participar desse roteiro e passar para nossos turistas o que temos de melhor, como o Memorial e ilustres vultos históricos, a exemplo do patrono desse prédio aqui, Silvio Romero, que foi um poeta, jornalista e fez parte da Academia Brasileira de Letras. Aqui, o turista vai entrar, conhecer as obras, a cultura, fazer parte de oficinas. É um ponto turístico muito importante”, salientou a guia de turismo.
Ainda na Praça Olímpio Campos, os alunos puderam saber mais sobre o Colégio Jackson de Figueiredo, primeiro de Aracaju onde as turmas foram mistas, ou seja, podiam estudar meninos e meninas. Outra parada na praça foi em frente à Cúria Metropolitana, antiga casa da família de Nicola Mandarino, industrial italiano. Os professores falaram, ainda, sobre a Catedral, onde está sepultado o primeiro bispo de Aracaju, Dom José Thomaz.
Os professores pararam em frente ao atual prédio da Câmara de Vereadores e explicaram que ali foi a primeira sede do Colégio Atheneu Sergipense e onde também funcionou a primeira biblioteca pública da capital. Somente em 1978, o local, que se chama Palácio Graccho Cardoso, passou a abrigar a Câmara de Vereadores. Durante o percurso, pessoas pararam para ouvir a aula e interagir com os alunos, relatando lembranças dos locais.
Já na Praça Fausto Cardoso, os alunos tiveram informações sobre o Palácio do Governo Olímpio Campos, primeira sede do Poder Executivo e atual museu; e do Palácio Fausto Cardoso, primeira sede da Assembleia Legislativa, atual Escola do Legislativo. O professor Osvaldo contou aos alunos que Olímpio e Fausto eram rivais políticos e falou sobre o assassinato de Fausto Cardoso no local, em 28 de agosto de 1906.
“A história desse rapaz, Fausto Cardoso, eu nunca tinha ouvido falar. E achei legal essa praça, na verdade eu nunca tinha vindo para essa parte de Aracaju e eu acho que foi uma experiência muito boa porque as crianças ganham mais conhecimento da história das pessoas importantes do passado”, disse Edinei de Souza, 13 anos, aluno do 9º ano da Escola Neuzice Barreto. O colega dele, João Darlan Coelho, também ficou intrigado com o trágico fim de Fausto Cardoso. “Eu não imaginava que essa praça tinha tanta história”, acrescentou João.
Visita do Imperador
A visita que o Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina fizeram a Aracaju, em 1860, cinco anos após à mudança da capital, também foi tema do roteiro. O assunto foi iniciado em frente à Ponte do Imperador, por onde a comitiva chegou a Aracaju; continuou na antiga Delegacia Fiscal, prédio inaugurado em 1856, que foi sede do Palácio Provincial e onde Dom Pedro II e a esposa dormiram; e terminou na Igreja São Salvador, onde foi celebrada a missa e a cerimônia do beija-mão, tradicional àquela época. Antes de finalizar o roteiro, o professor aproveitou o local para falar sobre a importância histórica do ponto onde a igreja se localiza, a esquina dos calçadões das ruas João Pessoa e Laranjeiras.
“Um roteiro como esse, que o Memorial do Poder Judiciário traz, valoriza a educação patrimonial e propicia o contato com os monumentos históricos e espaços culturais. Passamos a perceber que eles, além de uma história para contar, pertencem à população. No dia a dia, muitas vezes não percebemos que a cidade tem uma história para contar. É você praticamente caminhar por um livro, caminhar por várias histórias, por páginas escritas por um povo”, opinou o professor Osvaldo Ferreira Neto.
Revista
Após a finalização do roteiro, houve no Memorial do Judiciário o lançamento de mais uma edição da Revista Cumbuca. Compareceram ao lançamento o editor da revista, o jornalista Amaral Cavalcante; a pró-reitora de Extensão da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Alaíde Hermínia Oliveira; o vereador Lucas Aribé, que visitou uma sala inclusiva existente no Memorial; Paulo Amado, representando a Academia de Letras de Sergipe; e membros de órgãos ligados à cultura em Sergipe.
O Memorial promoveu outras atividades em homenagem ao aniversário da capital, a exemplo da Oficina de História em Quadrinhos com o tema "Celebrando 17 de março", com a Profa. Dra. Valéria Bari e Magna Nogueira; exibição do documentário ‘Chica Chaves’; roda de conversa com o professor e produtor cultural Sérgio Borges; exposição fotográfica "Augusto Gentil e seu olhar sobre Aracaju"; e exposição "Aracaju... é um cartão postal", com fotos antigas da cidade.




