O Memorial do Judiciário promoveu, em 27/05, a segunda oficina de leitura e transcrição de manuscritos de Tobias Barreto.
O objetivo da oficina é promover a prática de leitura paleográfica de textos manuscritos de Tobias Barreto e sua transcrição. Além disso, proporciona aos participantes analisar aspectos biográficos e da obra de Tobias Barreto; contextualizar o processo de produção, circulação e transmissão de seus textos; identificar as características das escritas do século XIX, com especial atenção à do escritor; e discutir as especificidades e dificuldades de leitura de seus textos manuscritos.
“O Memorial do Judiciário, em 2005, recebeu a doação de dois processos históricos, quando Tobias Barreto atuou como curador de órfãos. A partir dessa documentação, o Memorial iniciou um trabalho de pesquisa que permitiu que fossem encontrados, no Instituto Joaquim Nabuco, em Recife, e com o professor Jackson da Silva Lima, uma vasta documentação judicial. São mais 100 documentos manuscritos de Tobias Barreto, inclusive documentos inéditos”, revelou a Diretora do Memorial, Sayonara Viana.
A segunda oficina foi ministrada pela Doutora em Letras pela USP e Professora do Departamento de Letras Vernáculas e do Mestrado Profissional em Letras da Universidade Federal de Sergipe por Renata Ferreira Costa. Ela falou sobre a paleografia, que é a ciência da decifração dos manuscritos, e sua importância na datação de documentos, na identificação da autoria, da origem e também das condições psíquicas do escritor, entre outros aspectos da escrita.
“Tobias Barreto é um ícone, um homem além do seu tempo, célebre, por isso, podemos associar o nome dele à escola, à avenida, enfim, a todas as referências de quem foi este homem, é essencial. Sobre trazer a paleografia para o contexto de Tobias Barreto, é importante porque assim conseguimos ver mais da personalidade desse homem, entender mais o grau de cultura que ele tinha, através da sua própria escrita. Tobias Barreto é conhecido nacional e internacionalmente, mas na sua própria terra ainda existe pouco conhecimento e aqui nós estamos fazendo esse resgate, para quem estuda Tobias Barreto não apenas através do impresso, mas dos manuscritos”, avaliou Renata Costa.
Participam das oficinas estudantes, profissionais de diversas áreas e pesquisadores. O Professor de História e Mestrando em Antropologia Social pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Frederico Teles, que trabalha diretamente com pesquisas de documentos históricos, é um dos participantes.
“Para quem é pesquisador, historiador, quem lida com arquivos públicos, essa oficina de transcrição de documentos nos traz mais embasamento na interpretação, manuseio e tradução desses escritos históricos. As oficinas nos possibilitam, em meio às nossas pesquisas, ao nosso trabalho diário, compreender melhor os documentos e ampliar nossos conhecimentos”, enfatizou Frederico Teles.
A oficina também acontecerá no dia 31 de maio. Ainda, de acordo com a Diretora do Memorial, Sayonara Viana, a intenção é realizar outras edições sobre os manuscritos de Tobias Barreto.
“A primeira oficina fizemos uma amostragem e nesta segunda etapa estamos nos aprofundando, a fim de ampliar a área do conhecimento. Tobias Barreto, epistemologicamente falando, atuou em diversas áreas do conhecimento, como a literatura, o direito, a filosofia, e isso chama a atenção de profissionais de diversas áreas. Como tivemos uma procura grande, o Memorial fará novas edições nos meses de julho e agosto”, divulgou Sayonara Viana.
Tobias Barreto
Tobias Barreto de Menezes é reconhecidamente um dos mais importantes juristas do Brasil. Nasceu na então Vila de Campos, atual Tobias Barreto (SE), em 7 de junho de 1839, e faleceu em 26 de julho de 1889, no Recife (PE). Foi Bacharel em Direito, poeta, professor e pensador. Exerceu o magistério em Sergipe antes de seguir para Pernambuco e se matricular na Faculdade de Direito do Recife, onde passou a ensinar depois do célebre concurso de 1882. Redigiu jornais em alemão e comentou obras de autores alemães que renovavam a crítica religiosa, a Filosofia e o Direito. Publicou livros que marcaram a cultura brasileira, como “Dias e Noites”, mais tarde reunidos em “Obras Completas”.




