A história contada pelos próprios autores, neste caso, magistrados e personalidades sergipanas, é o que define o projeto Vivas Memórias, lançado no final da tarde de ontem, 24/1, no auditório do Palácio da Justiça Tobias Barreto de Menezes. Na ocasião, também foi lembrada a inauguração do prédio, ocorrida em 21 de fevereiro de 1979. O evento foi aberto pelo Coral Advocanto, da Caixa de Assistência dos Advogados de Sergipe.
Logo após, o Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), Desembargador Cezário Siqueira Neto, disse que a ideia do projeto surgiu ao folhear alguns livros editados pelo historiador Luiz Antônio Barreto, segundo ele, o maior estudioso de Tobias Barreto. “Folheando aqueles livros, pensei que poderíamos dar continuidade ao projeto de armazenamento da história de Sergipe. Histórias de vida que podem inspirar novas gerações”, enfatizou o Presidente.
Ele ainda disse que é uma grande alegria homenagear “todos aqueles que, durante décadas, construíram, cada um com seu esforço e contribuição, o Poder Judiciário de Sergipe” e que, inclusive, também colaboraram para a conquista de dois Selos Diamante, concedidos ao TJSE pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma dessas contribuições foi a do Desembargador José Artêmio Barreto, que foi Vice-Presidente e depois Presidente do TJSE.
“Foram 30 anos dedicados ao Poder Judiciário, onde ocupei os cargos mais importantes, como Vice-Presidente e Presidente. Quando esta Casa, através de seu Presidente, traz esse projeto eu me recordo de algo que fiz quando procurei a biografia de um Desembargador e não encontrei. Então, fizemos livros com a memória de todos Desembargadores e Presidentes até minha gestão”, recordou o Desembargador Artêmio.
Para o Juiz José Rivaldo Santos foi uma honra ser entrevistado pelo projeto. “Isso é uma memória viva para aqueles que batalharam em prol dessa instituição. O Desembargador Cezário prestigia muito a todos nós magistrados aposentados e, por isso, estou aqui muito feliz com essa homenagem”, agradeceu. A Desembargadora Josefa Paixão, primeira mulher a ingressar no Judiciário sergipano, também falou da valorização dada aos aposentados. “Gostamos desse convívio com os colegas. Parabéns pelo projeto”, elogiou.
Quem ainda compareceu à solenidade foi um dos fundadores do Banese e ex-Vice-Governador de Sergipe, Adalberto Moura. “A iniciativa foi muito boa e serve de incentivo a outros tantos que desejam trabalhar ajudando o Estado”, opinou. Aos 93 anos e com uma memória invejável, ele lembrou que o então Banco de Fomento do Estado de Sergipe, atual Banese, entrou em funcionamento em 2 de janeiro de 1964.
Fonte de pesquisa
As entrevistas concedidas por magistrados e personalidades sergipanas ficarão disponíveis para a população no Memorial do Judiciário, localizado na Praça Olímpio Campos. Por enquanto, o prédio está em reforma, mas em breve os 37 depoimentos coletados entre maio de 2018 a janeiro deste ano, e outros que ainda serão feitos, poderão ser vistos na íntegra no Memorial. Além de preservar a história da Justiça em Sergipe e valorizar quem ajudou a construí-la, o Vivas Memórias também buscou promover uma maior aproximação com os magistrados aposentados. Até agora, foram totalizadas cerca de 30 horas de depoimentos.
40 anos
O Palácio de Justiça Tobias Barreto de Menezes, localizado na Praça Fausto Cardoso, Centro de Aracaju, foi inaugurado em 21 de fevereiro de 1979, justamente no dia em que o Desembargador Artur Oscar de Oliveira Deda, falecido em junho de 2018, tomou posse como Presidente do TJSE. A viúva dele recebeu a homenagem, que também foi feita ao ex-Presidente do TJSE, Desembargador Antônio Xavier de Assis Júnior. O neto dele, o advogado Carlos Pinna Júnior, recebeu o certificado.