A partir de agora, conforme a Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), os magistrados têm para onde encaminhar as mulheres vítimas de violência doméstica que estão em risco iminente de morte ou grave ameaça. Isso porque está em funcionamento a Casa Abrigo Estadual Profa. Neuzice Barreto, implantada pela Secretaria de Estado da Inclusão Social (Seidh), por meio das coordenadorias da Mulher e da Assistência Social.
“Foi uma construção conjunta, uma luta de vários anos e que se concretiza justamente nesse momento em que estamos tão preocupados com as políticas públicas. Esse abrigo vem para nos deixar atentas com o aumento dos casos de violência doméstica e para que não haja retrocessos ", comentou Sabrina Duarte, psicóloga da Coordenadoria da Mulher do TJSE.
Inclusive, a Coordenadoria participou das discussões para construção do fluxo de atendimento, como também para efetivação do equipamento e capacitação dos profissionais da Casa Abrigo, juntamente com a Secretaria de Segurança Pública (SSP). As delegacias, o Judiciário e Ministério Público serão a porta de entrada para o serviço.
A partir do boletim de ocorrência, a equipe da Casa Abrigo será acionada para conduzir a mulher e seus filhos até o local. A delegada do Departamento de Grupos Vulneráveis (DAGV), Mariana Diniz, falou da importância do equipamento para o trabalho da delegacia. “É um fortalecimento da rede de proteção à mulher. É bom saber que a vítima de violência está em segurança enquanto tomamos as devidas providências", afirmou.
A Casa Abrigo oferece acolhimento provisório para mulheres, acompanhadas ou não de seus filhos, e que estejam em situação de ameaça ou risco de morte em razão da violência doméstica ou familiar. Para a segurança das abrigadas, o endereço é sigiloso e o funcionamento é ininterrupto. A equipe de atendimento é multidisciplinar com psicólogas, assistentes sociais e educadoras sociais, preparadas para acolher e fortalecer a dignidade dessas mulheres, enquanto o sistema de Justiça dá andamento aos processos legais.
Dentro do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a Casa Abrigo Estadual é tipificada como serviço de acolhimento institucional da proteção social especial de alta complexidade. A coordenadora Estadual da Assistência Social, Kátia Ferreira, falou sobre como as políticas públicas se complementaram para viabilizar o projeto. "Além da defesa da mulher, a unidade de acolhimento está vinculada à política de Assistência Social. É uma demonstração de integração e fortalecimento de toda a rede socioassistencial”, afirmou.
A coordenadora Estadual de Políticas para Mulheres da Seidh, Edivaneide Paes, lembrou que a concretização desse projeto acontece depois de uma longa jornada de discussões e alinhamento entre órgãos e entidades. “Esse equipamento é um sonho antigo de toda a rede aqui representada por municípios, serviços e colaboradores. Fizemos o nosso melhor para que essa conquista fosse alcançada, tamanha a sua importância para salvar a vida de tantas mulheres”, comentou.
Já a deputada estadual e presidente da Frente Parlamentar de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, Goretti Reis, recordou a atuação em favor da instalação do equipamento em 2016. “Foi em março de 2016 que solicitamos a construção e mostramos como importante Sergipe ter um local de acolhimento para as mulheres do interior. Fico muito feliz em participar das discussões até hoje, com o projeto concretizado”.
Fórum
No último dia 13, aconteceu o Fórum Estadual de Organismos de Políticas para as Mulheres (FEORG), onde foi discutido o funcionamento da Casa Abrigo Estadual Profa. Neuzice Barreto. Segundo a Secretaria de Estado da Inclusão Social (Seidh), por meio das coordenadorias da Mulher e da Assistência Social, Sergipe é pioneiro na oferta de um equipamento de âmbito estadual voltado especificamente para mulheres vítimas de violência com risco de morte.
Filha da professora Neuzice Barreto, que dá nome à Casa Abrigo, Maria Eliene Lima foi homenageada durante o Fórum. Ela relembrou a trajetória da mãe e as dificuldades enfrentadas para educar os filhos. “Estou lisonjeada em poder representar a minha mãe. Quero agradecer ao Estado de Sergipe pela construção do abrigo e por essa homenagem. Minha mãe foi uma guerreira, foi professora e ainda colaborava politicamente. Sua história é de superação e receber essa homenagem é especial. Agradeço de coração", declarou.
Com informações e fotos da ASN/Seidh




