Promovidas pelo Centro Médico do Tribunal de Justiça de Sergipe, foram realizadas na manhã de hoje, 19/04, no hall do Anexo I, duas palestras sobre o autismo e aspectos ligados ao transtorno que acomete grande número de crianças em todo o mundo. Profissionais renomados na área foram convidados para esclarecer o assunto, que teve como público-alvo magistrados, servidores e pais de pessoas com autismo.
A neuropediatra Ana Gabriela Passos do Prado discorreu sobre o TEA – Transtorno do Espectro Autista, aspectos clínicos e diagnósticos e a visão do neuropediatra sobre o tema. Segundo ela, o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na comunicação social e pela presença de comportamentos e interesses restritos e repetitivos, não tem cura e não pode ser considerado uma doença.
É evidenciado em crianças antes dos 03 anos de idade e quando detectado precocemente, a resposta aos tratamentos é bem melhor. “A evolução do autismo pode se dar logo a partir dos 08 a 12 meses, quando a criança tem desenvolvimento lento, é apática e se irrita em excesso, além de outros sinais, como andar na ponta dos pés e ausência de comunicação verbal”, ressaltou Ana Gabriela.
A neuropediatra fez um levantamento do autismo no mundo atual. Segundo ela, num universo de 10 mil crianças, dois a cinco casos são constatados aos 3 anos de idade e 70 a 86% são deficientes mentais, além de diversas outras complicações. É necessária uma observação clínica direta do comportamento com diagnóstico que atende desde a história detalhada, estudo neuropsiquiátrico e teste de audição entre outros exames. “Não se mede o autismo e sim a necessidade de apoio com tratamento adequado, acompanhado de terapias comportamentais e educacionais”.
Terapias ajudam na socialização e convivência familiar
Na palestra do psicólogo clínico infantil Thiago Cavalcante Lima, foram enfocados os aspectos terapêuticos do trabalho com crianças autistas. Na ocasião, ele falou sobre a dificuldade do diagnóstico precoce e possíveis intervenções do plano terapêutico, através de mapeamento de habilidades.
Para o psicólogo, “as modalidades terapêuticas devem abranger a criança como um todo, numa abordagem inter/transdisciplinar que englobe os mais diversos ambientes nos quais a mesma esteja inserida, como a escola e família”. É importante que sejam esclarecidas dúvidas em torno do autismo e mostrar para a sociedade formas adequadas de ensino e aprendizado. Uma das grandes preocupações dos profissionais envolvidos é com a questão educacional, envolvendo professores e psicopedagogos que trabalham com este público.
Comunga do mesmo pensamento o pediatra Marco Aurélio de Araújo Carvalho, que atuou durante o evento no debate sobre o tema. Segundo ele, há a necessidade por parte da família de uma maior observação ao comportamento da criança, que é bem diferente das demais e ele como pediatra, tem a facilidade do diagnóstico precoce, revertendo boa parte dos sintomas. “É um longo tratamento que envolve psicólogos, terapeutas, fonoaudiólogos, entre outros. Alguns casos conseguem uma resposta ao tratamento imediata, outros, podem perdurar por longos anos”, lembrou.
Mary Fernanda, servidora do TJSE, vivencia diariamente o autismo em casa. Por ter um filho autista, ela assistiu atenta a todas as palestras e declarou que a questão do autismo é um assunto que merece ser amplamente divulgado, por conta da discriminação que ainda existe. Como mãe, ela ensina que é importante observar o comportamento da criança e envolvê-la num tratamento completo, ajudando-a a interagir melhor. “Com muita atenção e amor envolvido em cuidados específicos, é possível conviver com alguém que possua o transtorno”, disse ela.
O evento contou ainda com a presidente do Comitê Gestor Local de Atenção Integral à Saúde, Desembargadora Ana Lúcia Freire dos Anjos, que demonstrou satisfação em passar estas informações para os servidores. De acordo com ela, há uma preocupação muito grande do Comitê com todas as questões que envolvem a saúde dos servidores e consequentemente dos seus familiares.
“Não tem como isolar o servidor de uma questão tão importante como esta. O Tribunal de Justiça é uma família e, para se manter saudável, é preciso que todos estejam saudáveis também. A iniciativa de eventos como estes tem a capacidade de levar o devido apoio para quem convive diariamente com o autismo, além de promover uma conscientização maior em torno do tema”, finalizou a Desembargadora.




