Foi inaugurada nesta sexta-feira, 06/04, a herma (busto e restos mortais) do jurista sergipano Gumersindo Bessa. A honraria foi colocada no hall de entrada do maior Fórum do Judiciário sergipano, que leva o nome do homenageado. Para a concretização da homenagem a Gumersindo Bessa foi assinado, em fevereiro de 2018, um termo de doação entre o TJSE e a Academia Sergipana de Letras (ASL), que tinha a posse de um busto metálico e os restos mortais do jurista sergipano, que também é patrono da cadeira nº 6.
Para o Presidente do TJSE, Des. Cezário Siqueira Neto, a homenagem é um ato de resgate ao grande jurista sergipano, que ao longo de sua existência e mesmo após a sua morte, só tem honrado o nosso Estado. “Bessa foi deputado estadual, federal, promotor de justiça, escritor, jornalista, desembargador do Tribunal de Relação à época e engrandeceu Sergipe em todo território nacional, principalmente quando chegou a vencer o brilhante jurisconsulto Rui Barbosa na Questão do Acre. Graças à ASL, por meio de seus membros, pudemos fazer essa justa homenagem. Foram eles que apresentaram o pedido de resgate da memória dos restos mortais de Gumersindo Bessa para que hoje pudéssemos inaugurar essa Herma e realizar esta justa homenagem”, afirmou o Desembargador.
A bisneta e tataraneta de Gumersindo Bessa, Eliana e Karine Bessa Pinto, prestigiaram a solenidade. “Essa homenagem é uma honra para a nossa família, gostaríamos de agradecer à ASL e ao TJSE pela oportunidade. Sou advogada e, de certa forma, a genética e biografia do meu tataravô influenciaram na escolha da minha profissão”, explicou a tataraneta de Gumersindo Bessa, Karine.
Segundo o Presidente da ASL, Acadêmico José Anderson Nascimento, o Fórum Gumersindo Bessa era o local mais adequado em Sergipe para receber o busto e os restos mortais de um dos maiores juristas do Brasil. “Apresentamos a proposta ao Des. Cezário e de pronto ele abraçou a nossa ideia, levou ao Pleno, e após a aprovação estamos aqui hoje inaugurando essa herma, que é uma vitória para a cultura, a literatura e a memória jurídica sergipana”.
O Des. Edson Ulisses de Melo, que também é membro da ASL, contou passagens interessantes sobre a vida de Gumersindo Bessa. “Contam que Bessa estava em uma plenária com diversas pessoas de vários Estados do país, e ficavam perguntando uns para os outros o que seu Estado produzia, na vez de Gumersindo, ele de pronto, respondeu: Talentos. Dizem também que a expressão ‘Bom à beça’, que representa algo muito bom e positivo, surgiu da atuação competente do nosso grande jurista”, contou o magistrado.
Participaram também da solenidade, o Juiz Auxiliar da Presdência do TJSE, Leonardo Almeida; o Secretário Estadual da Cultura, João Augusto Gama; o Conselheiro do TCE, Clóvis Barbosa, além de magistrados que atuam no Fórum Gumersindo Bessa, membros da ASL e secretários, diretores e servidores do TJSE.
Gumersindo Bessa
Gumersindo de Araújo Bessa nasceu no município de Estância, em 02 de janeiro de 1859; e faleceu em 24 de agosto de 1913, no Engenho Mucuri, termo da Comarca de Nossa Senhora do Socorro.
Os primeiros anos da sua infância transcorreram em sua cidade natal, aproveitados em boa parte nos estudos iniciais do curso de Humanidades. Destinado à carreira eclesiástica, frequentou um seminário da Bahia, entre 1876 a 1879, vindo a quase concluir o curso canônico.
Ao ingressar na Faculdade de Direito do Recife, após um brilhante tirocínio acadêmico, recebeu o grau de Bacharel em 02 de outubro de 1885, sendo o primeiro estudante da turma, pelo talento e aplicação, sendo habilitado pela Congregação dos lentes da Faculdade a ensinar Direito em qualquer universidade do mundo.
Ao retornar a Sergipe, foi logo nomeado promotor público da comarca de São Cristóvão. Posteriormente, ocupou os lugares de juiz de casamentos, chefe de polícia, desembargador e presidente do Tribunal de Apelação do Estado, dissolvido em consequência da revolução de 23 de novembro de 1891. Eleito deputado provincial, também participou da primeira Constituinte republicana do Estado, além de ter sido deputado federal.
Porém, foi na advocacia que se firmaram solidamente os seus créditos de eminente jurisconsulto para além das fronteiras do Estado. Seu nome adquiriu tamanha importância a ponto de ser convidado a reger a cadeira de Direito Criminal da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.
Igual homenagem foi prestada pelos Acreanos, quando lhe entregaram a incumbência de enfrentar o sábio jurisconsulto, o conselheiro Rui Barbosa, na ação de reivindicação do território do Acre pelo Estado do Amazonas. Como prêmio do seu esforço nesse pleito memorável, a Intendência do Alto Acre deu, em 1906, o nome de Gumersindo Bessa, à principal rua da Vila Rio Branco.
Foi sócio honorário do “Club Democrático” de Laranjeiras; efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e correspondente da “Sociedade de Legislação Brasileira” do Rio de Janeiro. Escreveu dezenas de livros.