Foi realizada na última quinta-feira, 25/01, na Comarca de Pacatuba, a segunda capacitação da rede de Assistência e Acolhimento em Justiça Restaurativa, sob a condução das facilitadoras Gisele Novais e Ingrid Hora. O objetivo da ação é trabalhar a perspectiva restaurativa com toda a rede que atua na solução dos conflitos nos municípios de Pacatuba, Brejo Grande e Ilha das Flores.
Na primeira turma, facilitada pela Juíza Tatiany Chagas e pela servidora Gisele, fizeram-se presentes 25 profissionais, quando neste momento mais 17 foram capacitados, dentre eles técnicos do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Conselheiro Tutelar, componentes do Centro de Apoio Psicossocial (Caps), Casa Lar e as Secretárias de Assistência Social e Saúde do Município, que de forma voluntária desejaram vivenciar o método.
A perspectiva é que nos próximos dois meses a base assistencial esteja integralmente apta ao início dos trabalhos práticos de justiça restaurativa; inicialmente, nos procedimentos relacionados à infância e adolescência, abarcando num futuro próximo outras áreas, a exemplo dos conflitos familiares.
A assistente social Wlyanne da Silva Costa partilhou um pouco da experiência vivencial. “Nós profissionais vimos a importância para a vítima, que muitas vezes é rejeitada pela sociedade e até mesmo pela família. Podemos notar o quão importante é pensar no outro, se colocar no lugar do outro, julgar menos e acima de tudo ser mais humano", ressaltou. Para o assistente social Ítalo Oliveira, "os métodos ativos utilizados e sua linguagem trazem consigo o compromisso que cada participante acaba por absorver durante o desenrolar das atividades".
Já a Secretária de Assistência Social, Faustilene Santos, disse que participar do círculo foi um momento ímpar. "Sem dúvida nos leva a pensar nosso lado afetivo, empático, nas relações de trabalho. Vem nos tornar mais sensíveis à causa do outro, a aprimorar a escuta. Quantos adolescentes que estão no mundo das drogas precisam somente ser ouvidos? Quantos crimes poderiam não se repetir se as pessoas tivessem a oportunidade de serem ouvidas com humanidade? Foi muito gratificante poder participar desse processo de uma nova justiça, mais humana; uma justiça preocupada com as relações sociais", elogiou.
Ao final, as facilitadoras declararam que a Justiça Restaurativa, por intermédio dos círculos de sensibilização, tem sido abraçada pelos profissionais que até agora vivenciaram a dinâmica. Além da quebra de paradigmas, segundo elas, os círculos estão propiciando a construção de práticas profissionais que poderão ajudar sob uma perspectiva de corresponsabilização, na reconstrução dos caminhos da vítima e do adolescente infrator; permitindo o empoderamento das instâncias sociais com uma cultura de paz e apresentando alternativas ao sistema formal de justiça para a efetiva solução de parte dos conflitos.