Foi encerrada na última sexta-feira, 01/12, a segunda turma do Curso de Círculos de Justiça Restaurativa e de Construção de Paz, organizada pela Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), em parceria com a Escola Judicial de Sergipe (Ejuse). O curso, destinado a servidores do TJSE e integrantes da rede de atendimento à criança e ao adolescente, teve como objetivo apresentar os conceitos sobre práticas restaurativas e também planejamento e desenvolvimento de Círculos de Construção de Paz.
"Este projeto de expansão da Justiça Restaurativa tem como objetivo atender toda a socioeducação, englobando internação e semiliberdade, como também a rede de acolhimento. A ideia é que a Justiça Restaurativa seja uma metodologia a ser aplicado no atendimento socioeducativo", destacou a Juíza Iracy Mangueira, coordenadora da Infância e Juventude do TJSE.
Uma das alunas do curso foi a auxiliar de enfermagem Rose Mary Oliveira, que trabalha na Fundação Renascer. Ela teve conhecimento sobre Justiça Restaurativa em uma palestra do magistrado Paulo Roberto Barbosa, de Canindé do São Francisco, onde a metodologia já é aplicada. “Eu me interessei tanto pelo assunto que é o tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso em Direito. Os livros tratam da finalidade, mas não vislumbram a dinâmica. Por isso, aproveitei a oportunidade de fazer o curso”, contou Rose.
Ao final das 50 horas/aula, distribuídas por cinco dias, ela disse que percebeu que a vivência vai muito além do que se aprende na teoria. “É uma prática que toca as pessoas e faz com que vejamos o mundo do próximo com outro olhar. Estou ansiosa para começar o estágio e ver como a metodologia pode ser eficaz no caso de adolescentes infratores, fazendo com que eles não só solucionem seus conflitos, mas reflitam sobre eles e procurem outra forma de viver”.
As facilitadoras foram Célia Regina Milanez Souza, analista judiciária da área de Psicologia; e Michelle da Conceição Costa Cunha, analista judiciária de Serviço Social, ambas do TJSE. O curso trabalhou conceitos, princípios, fundamentos e valores da Justiça Restaurativa e dos Círculos de Construção de Paz; elementos estruturais como valores e diretrizes; fluxo de Processo circular; entre outros temas.
Estância
Dando prosseguimento ao Programa para Difusão da Justiça Restaurativa na Comarca de Estância, foi realizado, no último dia 27, mais um círculo de sensibilização, dessa vez com integrantes da rede de assistência social do município e Conselheiros Tutelares. As facilitadoras foram a Juíza Tatiany Chagas, Titular da 2ª Vara Cível de Estância, e a Conselheira Tutelar Andrea Rodrigues Silva.
“Saí do círculo com uma sensação maravilhosa, leve, com a mente aberta a novos horizontes, vendo colegas com um olhar mais diferenciado e humilde. Foi muito bom”, comentou Antônia Cristina dos Santos, Conselheira Tutelar. Um dos objetivos do programa, conforme a juíza Tatiany Chagas, é construir na comunidade estanciana um novo olhar para os ilícitos que causam desarmonia não só entre ofensor e vítima, mas também no âmbito social.
“Independente de estar em um grupo, consegui ter um encontro comigo mesmo. Pude trabalhar minhas emoções, que por certas vezes me causavam algum tipo de problema ao me expressar com alguém ou interagir com meus colegas. Consegui debater certos assuntos, conhecer mais cada colega e, assim, formar um novo vínculo de companheirismo no trabalho”, revelou Carlos Alberto Lisboa Lima, integrante da rede de assistência social de Estancia.




