O Comitê de Atenção Integral à Saúde do TJSE, coordenado pela Desª Ana Lúcia Freire dos Anjos, promoveu, em parceria com a Escola Judicial de Sergipe (Ejuse), na sexta-feira, 18/08, workshop sobre Constelações Familiares. Oitenta e três servidores e 13 magistrados participaram do treinamento que teve como facilitadora a consultora organizacional e psicoterapeuta, Annacy Amorim Santos.
Com 04 horas-aula, além do tema constelações familiares, a capacitação levou conhecimento aos servidores e magistrados sobre ciência contemporânea, conexões multigeracionais e a busca do equilíbrio. Segundo a facilitadora, o treinamento fará com que os integrantes do Judiciário passem a lidar melhor com os desafios do dia a dia, dentro de uma visão sistêmica. “O curso visa integrar o desenvolvimento intra e inter pessoal, social e profissional dos participantes. Aqui eles aprenderam sobre como se comportar diante das situações traumáticas que o mundo moderno nos impõe, especialmente na área judicial, sem que isso os leve para um quadro de estresse ou adoecimento”, explicou a psicoterapeuta.
A Desª Ana Lúcia Freire dos Anjos destacou que, além de sensibilizar os servidores e magistrados para a prática das Constelações Familiares, o curso demonstra também a preocupação do TJSE com as pessoas que integram o Poder. “Nos encontros do Comitê percebemos que, por conta do aumento exponencial da demanda judicial e das exigências para o cumprimento de metas, magistrados e servidores estão trabalhando sob estresse. A ideia do curso é também fazer com que as pessoas consigam enfrentar esses desafios de forma mais tranquila e preparada, tanto física quanto emocionalmente”, comentou a magistrada.
“Este é um curso com uma abordagem holística, focado na mudança do próprio padrão vibratório das pessoas. Se é possível afirmar que existe a troca de energias, aumentar a capacidade do magistrado de emanar bons padrões acarreta uma maior produtividade e o desenvolvimento de relações mais harmônicas no trabalho. Sempre que a mente se estabiliza, encontra paz interior e satisfação nas pequenas ações do dia a dia, o corpo reflete, apresenta-se saudável. É a máxima extraída do aforismo "mens sana in corpore sano" ("uma mente sã num corpo são") oriunda do poeta romano Juvenal”, afirmou a Juíza Karina Torres Abdala, titular da Comarca de Umbaúba.
O secretário do Comitê, Thyago Avelino, informou que o curso visa também apresentar a técnica das Constelações Familiares para os servidores e magistrados. “Vários tribunais no país já utilizam a prática em procedimentos pré-processuais e nas conciliações e mediações judiciais. Estamos acompanhado o CNJ que estimula as práticas de alternativas de resolução de conflitos, diante de uma conscientização das partes”, concluiu o servidor.
"O curso foi de suma importância, pois demonstrou a existência de mais uma ferramenta capaz de se chegar à solução de conflitos de forma voluntária, assunto tão em voga no atual CPC, já que, como se sabe, através da técnica das Constelações Familiares têm se solucionado demandas ainda na fase conciliatória. O treinamento também nos fez refletir sobre qual o impacto do trabalho em nossas vidas, nos induzindo à busca do equilíbrio, com a tomada de consciência de fatos e fatores que regem nossas relações pessoais e profissionais. Uma verdadeira incitação ao autoconhecimento", relatou a servidora do Departamento de Precatórios, Carolina Gama.
Constelação Familiar no Judiciário
A constelação familiar foi criada pelo filósofo alemão Bert Herllinger e, aplicada ao Poder Judiciário, a técnica consiste em uma sessão de conciliação ou mediação até dois meses antes de uma audiência. Nas sessões, os participantes são estimulados a refletir sobre seus vínculos familiares, o litígio e os motivos que os levaram a entrar com o processo judicial. O objetivo é que, por meio da observação da dinâmica do sistema familiar, sejam interrompidos comportamentos repetitivos que geram conflitos e possibilitar a conversa entre os litigantes, que resulta, frequentemente, no acordo.
Pelo menos 11 Estados (Goiás, São Paulo, Rondônia, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas e Amapá) e o Distrito Federal já utilizam a dinâmica da "Constelação Familiar" para ajudar a solucionar conflitos na Justiça brasileira. A medida está em conformidade com a Resolução CNJ nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estimula práticas que proporcionam tratamento adequado dos conflitos de interesse do Poder Judiciário. A técnica vem sendo utilizada como reforço antes das tentativas de conciliação em vários Estados.
A intenção da utilização da técnica é buscar esclarecer para as partes o que há por trás do conflito que gerou o processo judicial. Os conflitos levados para uma sessão de constelação, em geral, versam sobre questões de origem familiar, como violência doméstica, endividamento, guarda de filhos, divórcios litigiosos, inventário, adoção e abandono.
Com informações do CNJ




