A jornalista Elvira Lobato, com a reportagem Universal chega aos 30 anos com império empresarial, publicada no jornal Folha de S. Paulo, conquistou o Prêmio Esso de Jornalismo 2008. A reportagem mostra a rede de empresas ligada à Igreja Universal do Reino de Deus. A repórter revelou, entre outros fatos, que emissoras de rádio e TV adquiridas em nome de fiéis da igreja são transferidas para Edir Macedo, fundador da igreja. Diante da publicação da notícia, 105 processos judiciais foram abertos por fiéis da igreja contra a repórter.
Elvira Lobato entrou na mira da Universal no começo desse ano. Fiéis e pastores da igreja foram à Justiça contra a Folha de S. Paulo e a jornalista, autora da reportagem publicada em 15 de dezembro de 2007. Os pedidos de indenização, com muitos parágrafos idênticos, foram apresentados em Juizados Especiais em vários estados. Os pedidos também foram ajuizados contra os jornais O Globo e Extra. Por enquanto, a jornalista e a Folha de S. Paulo têm levado a melhor na Justiça.
Os vencedores do Prêmio Esso foram conhecidos na noite do dia 9 de dezembro, em cerimônia feita no Hotel Copacabana Palace. Foram conferidas 14 premiações, 12 das quais destinadas a contemplar trabalhos da mídia impressa, além do Prêmio Esso de Telejornalismo e da distinção de "Melhor Contribuição à Imprensa em 2008".
Os jornalistas André Felipe Tal, Ricardo Andreoni, Jorge Valente e Marcelo Zanini conquistaram o Prêmio Esso de Telejornalismo 2008, com o trabalho Dossiê Roraima: Pedofilia no poder, exibido no Domingo Espetacular, veiculado pela Rede Record. A reportagem mostra o funcionamento da rede de pedófilos no estado. O trabalho identifica entre os acusados pessoas ricas e poderosas, empresários aliciadores e até o procurador-geral, presos pela Polícia Federal depois do registro de vários flagrantes. Vítimas, parentes e policiais foram ouvidos para recontar a história dramática do abuso sexual e econômico.
O Prêmio Esso de Reportagem coube aos jornalistas Ana Beatriz Magno e José Varella, com o trabalho Os brinquedos dos anjos, publicado no jornal Correio Braziliense. Trata-se de reportagem sobre as brincadeiras de meninos e meninas nas favelas cariocas. O trabalho dos repórteres virou um caderno especial com fotos de autoria das crianças. A partir da própria imaginação e muitas vezes de objetos confeccionados por eles próprios, as brincadeiras infantis refletem a realidade que impressiona muitos adultos.
O Prêmio Esso de Fotografia foi dado ao repórter fotográfico Clóvis Miranda, com o trabalho Martírio no presídio, publicado no jornal A Crítica (Manaus).O fotógrafo revelou momentos da rebelião no Instituto Penal Antônio Trindade, em Manaus, no Amazonas. A fotografia mostra um dos detentos no momento em que era removido, depois de ter sido torturado e mutilado. Além de chocante, a foto lembra a imagem de Jesus Cristo sendo retirado da cruz.
Também ganhou prêmio o projeto Diário em braille, do jornal Diário de Pernambuco, na categoria Melhor Contribuição à Imprensa em 2008. O projetou permitiu que milhares de deficientes visuais do estado de Pernambuco passassem a dispor das mesmas informações impressas diárias oferecidas aos demais leitores.
Todos os vencedores tiveram seus trabalhos escolhidos de uma lista de 38 finalistas previamente selecionados de um total de 1.182 trabalhos inscritos, sendo 533 reportagens, séries de reportagens ou artigos; 174 trabalhos fotográficos; 188 trabalhos de criação gráfica em jornal, 92 trabalhos de criação gráfica em revista e 103 primeiras páginas de jornal, além de 88 trabalhos de telejornalismo e quatro inscrições ao Prêmio de Melhor Contribuição à Imprensa.




