Um ex-empregado da loja de eletrodomésticos Casas Bahia conseguiu na justiça que a empresa fosse condenada a indenizá-lo em R$ 10 mil por danos morais. A 2ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 3ª região (Minas Gerais) manteve a condenação de primeira instância, aceitando as alegações do ex-funcionário de que ele era vítima de terror psicológico e pressão extrema no trabalho.
A rede de lojas, em nota oficial, disse que o assunto refere-se a um caso isolado.
Pressão
O autor da ação relatou que, quando não conseguia alcançar as metas de vendas estabelecidas, ou ficava em último lugar, era exposto vexatoriamente perante outros funcionários, recebendo o apelido de lanterninha, e tendo sua produtividade comparada à dos demais. Como punição, era obrigado a trabalhar na boca do caixa, ou seja, nos fundos da loja, só podendo vender para pessoas que estivessem pagando alguma prestação.
As testemunhas confirmaram que os empregados que não alcançavam as metas eram humilhados publicamente, através de brincadeiras e chacotas partindo do gerente, e punidos com o deslocamento para o fundo da loja. Essa situação causava enormes constrangimentos psicológicos e prejuízos financeiros ao reclamante, já que vendia muito menos neste setor.
A alegação da defesa da rede de lojas era de que tudo não passava de brincadeira saudável e bem humorada no ambiente de trabalho. Mas para desembargador relator, Jorge Berg de Mendonça, a empresa extrapolou os limites do seu poder diretivo ao exercer forte pressão psicológica sobre o reclamante, causando-lhe abalos psíquicos.
A prática da boca de caixa pela empresa atingiu os aspectos da personalidade do autor como o da intimidade, da consideração pessoal, da reputação e da consideração social, fazendo sentir-se ferido, disse o relator.
Outro lado
Última Instância entrou em contato com a assessoria de imprensa das Casas Bahia e a empresa, por meio de nota, informou que o fato em questão não é comum dentro da rede de lojas.
"Isso refere-se a um caso isolado, não refletindo a prática e a conduta que têm marcado a atuação da empresa nos seus 54 anos de mercado. A empresa informa ainda que ao tomar conhecimento do ocorrido acionou as medidas administrativas cabíveis, de responsabilizar os envolvidos, conforme determina seu Código de Conduta.
O documento, que vigora em toda a companhia, e é de conhecimento de cada um dos 52 mil colaboradores da rede, explicita claramente a posição de repúdio da Casas Bahia a qualquer abuso de poder ou prática discriminatória que possa causar danos morais a quem quer que seja, nas 546 lojas da rede, nas dependências de seus centros de Distribuição, entrepostos, plantas industriais ou escritórios administrativos", diz a nota.




