"Este diploma trouxe a minha força". Foi assim que o apenado Jadson de Sena Rocha definiu a oportunidade de concluir o curso de pintor imobiliário. Mais 14 pessoas que cumprem pena em regime aberto ou livramento condicional participaram do primeiro curso organizado pelo Projeto Construindo Cidadania - da Vara de Execuções Criminais (VEC) - em parceria com diversas entidades de classe e governamentais.
Os certificados foram entregues à primeira turma na tarde de ontem, no auditório do Sebrae. O juiz da VEC, Hélio Mesquita, informou que o curso foi adiante por conta da parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Sergipe (Sinduscon), Conselho da Comunidade na Execução Penal (CCEP), Comitê de Cidadania dos Funcionários do Banco do Brasil, Senai e Secretaria de Estado da Inclusão e Desenvolvimento Social (Seides).
O juiz informou que na primeira reunião que teve com o CCEP - quando assumiu a VEC, em setembro de 2009 - observou que as atividades dos conselheiros poderiam ir muito mais além do que inspeções nos presídios. Assim, ele apresentou a ideia de um projeto de reinserção social e o Sinduscon foi um dos primeiros parceiros a abraçar a causa. "As empresas da construção civil se sensibilizaram e viram que precisavam dessa mão de obra", lembrou o magistrado.
O núcleo psicossocial da VEC ficou responsável pela seleção dos apenados, que tiveram 60 dias de aula. Para uma das professoras do grupo, Adriele Santos Souza, os alunos foram dedicados. "Eles foram muito participativos nas aulas. Observamos que, o tempo todo, eles estavam buscando o retorno à sociedade. O foco deles é o emprego", analisou a professora do Senai. No módulo teórico, o grupo teve aulas de relações interpessoais, segurança do trabalho, ética e cidadania. No módulo prático, tiverem noções de cálculos e aprenderam quatro tipos de pintura: parede, metal, madeira e especiais.
O vice-presidente do Sinduscon, Jobson Maurílio, disse que boa parte dos apenados que ontem recebeu os certificados será contratada por construtoras que atuam em Sergipe. Para o presidente do CCEP, Carlos Magalhães, o Magal da Pastoral, o curso representa um marco no caminho da socialização de ex-presidiários. "Eles têm dificuldade de encontrar um lugar ao sol, até porque muitos não têm qualificação. Este curso está trazendo um novo horizonte para essas pessoas, que poderão trabalhar com autônomos ou em empresas da construção civil", enfatizou Magal.
É isso que pretende o apenado Jadson de Sena Rocha, de 24 anos. Ele chegou a ficar 11 meses detido no Presídio de São Cristóvão, acusado de roubo, e hoje responde ao processo em liberdade. "Logo que a gente sai da cadeia é difícil arrumar emprego. Fazia bico vendendo DVD. Esse curso foi importante porque preciso muito ajudar minha família. Veio em boa hora. Agradeço ao pessoal que participou", confessou Jadson. O segundo curso, de gesseiro, está previsto para começar no próximo dia 16.