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Terça, 23 Novembro 2010 12:54

Palestrante do "Seminário Comunicação e Justiça" fala sobre suas duas carreiras

Formado em Jornalismo e em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Desembargador Túlio de Oliveira Martins, presidente do Conselho de Comunicação Social do TJRS, é um dos palestrantes do "Seminário Comunicação e Justiça". O evento acontecerá no auditório do Palácio da Justiça, na Praça Fausto Cardoso, nessa quinta e sexta-feira. Nesta entrevista, ele fala um pouco do relacionamento entre imprensa e Judiciário e, assim como na palestra que ministrará na tarde da sexta-feira, conta sua experiência profissional nas áreas de Comunicação e Direito.

Dircom TJSE - Apesar de ter ingressado na magistratura em 1990, o senhor também é formado em Jornalismo. O senhor acha que essas duas carreiras têm algo em comum? O que seria?
Túlio Martins -
As carreiras têm pontos em comum. Jornalistas e Juízes trabalham com as palavras, buscam reconstituir determinados episódios e  alcançar a verdade. O jornalista tem a seu dispor o imenso poder dos meios de comunicação social, enquanto o julgador detém o monopólio estatal para a solução de conflitos. São responsabilidades tremendas que exigem apuro técnico no trabalho, maturidade e responsabilidade social. Frente a um acontecimento que de imediato se transformará em notícia e - muito provavelmente - em um processo, a ambos cabe o dever de duvidar de versões unilaterais e de meras aparências, analisando os fatos com muito distanciamento crítico.

Dircom - Muitos jornalistas dizem que Juízes evitam a imprensa. O senhor acha que isso realmente acontece e por que?
TM -
Existe uma desconfiança recíproca que deve ser afastada, já que se deve muito mais ao desconhecimento do que a razões objetivas. A cena judiciária é hermética e inóspita, mas ao mesmo tempo fascinante. O mundo do rádio e da TV (principalmente) é atemorizador para quem não está acostumado com o ambiente, mas igualmente se mostra atraente pelo charme e pela possibilidade de falar para milhões de pessoas. Apenas o convívio e o conhecimento podem levar a uma relação de confiança e de troca de espaço e informação, com evidente vantagem para a opinião pública, que ao final do processo estará bem informada.

Dircom - O senhor exerceu a profissão de jornalista em diversos locais. Sente saudade dessa época?
TM -
Trabalhei em rádio, televisão, jornais e uma revista. Fui jornalista profissional por oito anos, sendo que me formei primeiro em Jornalismo e dois anos depois em Direito. Hoje mantenho uma coluna semanal no jornal "O Sul", participo como convidado de um programa de rádio e de dois programas de TV, em um total de quatro vezes por semana. Aqui no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, presido o Conselho de Comunicação, que estamos transformando rapidamente em uma agência de notícias. Portanto, não me sinto exatamente afastado do jornalismo, mas mesmo assim tenho saudades das grandes coberturas, como o Grêmio campeão do mundo em Tóquio, a visita do Papa João Paulo II a Porto Alegre, a doença de Tancredo Neves e os intensos debates  que marcaram o processo de abertura política nos anos 80. Também gostava muito da fase em que fui programador de cinema na TV Gaúcha e do ritmo alucinante dos colegas do telejornalismo nos instantes que antecediam a entrada de um plantão de notícias no ar. A magistratura me realizou profissionalmente e não trocaria por nada minha vida de Juiz, mas o jornalismo foi aquilo que Frank Sinatra chamava de "some very good years".