Entre as definições trazidas pelo dicionário para a palavra efemérides está diário, agenda ou livro em que se registram fatos de cada dia. E foi nos jornais que Epifânio Dória publicou suas efemérides diariamente entre 1916 e meados da década de 60, cada uma delas composta por fatos que marcaram a história de Sergipe. A compilação de todo esse material, feita pela pesquisadora Ana Medina, resultou na obra Efemérides Sergipanas, lançada na noite desta quinta-feira, 28, na Biblioteca Pública Epifânio Dórea.
O governador Marcelo Déda prestigiou o evento e salientou a importância da obra para as novas gerações. Talvez, o mais nobre destino deste trabalho seja para a nossa juventude que folheando o livro, vendo o cuidado, a dedicação e o estudo de Epifânio, compreenda que é um privilégio nascer nesse pequeno Estado. Eu creio que esta é uma obra que acredita, sobretudo, no regaste da nossa história para fortalecer a nossa caminhada rumo ao futuro, frisou o governador.
Dividido em dois volumes e com uma tiragem de mil exemplares, o livro contou com o apoio do Governo do Estado e do Banese, através do patrocínio do Banese Card. O apoio do Governo e do Banese foi muito importante. Sem eles, não tinha chegado onde cheguei. Depois de oito anos de pesquisa, é um sentimento de vitória. Nas asas da esperança, alcei o meu voo, disse Ana Medina.
Para José Garcez Dória, neto de Epifânio, o lançamento do livro revela fatos importantes da história. Tira do esquecimento e traz à tona os fatos, as pessoas e as tramas que fizeram parte da formação do estado de Sergipe. As peculiaridades e a cultura também estão presentes na reconstrução da biografia dos filhos ilustres do Estado. Aproveito para destacar meu agradecimento ao expressivo trabalho executado com entusiasmo e dedicação de Ana Medina, relatou.
O fato de Epifânio registrar fatos históricos em jornais foi destacado pelo governador. Ao contrário do que poderia ser a regra para os historiadores do seu tempo, ao invés de publicar uma obra que fosse lida por algumas dezenas de intelectuais na província e depois guardada nas estantes, Epifânio publicou seu material em jornais. Quem faz isso tem plena consciência do significado de popularizar e quer alcançar o maior número de leitores para colocar diante dos seus olhos a arquitetura da alma da sua gente, enfatizou.
Currículo
Ana Medina é formada em Letras e ocupa a Cadeira de nº 16 da Academia Sergipana de Letras (ASL). Também integra a Associação Cultural do Arquivo Nacional/ RJ; é sócia do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e do Instituto Dom Luciano Duarte; vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura de Sergipe; e Diretora da Escola de Administração Judiciária (ESAJ) do Tribunal de Justiça de Sergipe. No currículo da escritora estão as obras Ponte do Imperador, Memória da Ordem do Mérito Serigy e Cartas de Hermes Fontes: Angústia e Ternura.
O Governo do Estado sente-se profundamente honrado de ser parceiro dessa aventura intelectual pelo talento e sensibilidade de Ana Medina. Ela já mostrou a Sergipe o valor do seu trabalho, o critério da sua pesquisa e a sensibilidade da sua escritura. É Ana Medina, por exemplo, quem vê na ponte do Imperador muito mais do que um mero desembarque do imperador, mas um pedaço grande da alma de uma cidade que no entorno dessa ponte foi crescendo, crescendo até que o desembarque do imperador fosse uma memória tão remota que, às vezes, se confunde com uma lenda, elogiou Marcelo Déda.
Prestigiaram o lançamento o Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Roberto Porto; o Governador do Estado, Marcelo Déda; o Prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira; o Vice-Prefeito da capital, Sílvio Santos; o Presidente do Banese, Saumíneo Nascimento; o ex-Governador de Sergipe, Celso de Carvalho; e os Secretários de Estado da Cultura, Eloísa Galdino; da Comunicação, Carlos Cauê; e da Articulação Política, Bosco Costa, além de diversos intelectuais sergipanos.