Imprimir esta página
Sexta, 24 Outubro 2008 11:45

Seminário Semeando em Terreno Fértil termina com saldo positivo

Terminou na tarde de hoje, dia 24, o Seminário Semeando em Terreno Fértil: Criança e Adolescente, prioridade absoluta, realizado no auditório do Tribunal de Justiça, no Centro de Aracaju, desde quarta-feira. A última palestra foi proferida pelo ginecologista e obstetra George Caldas, que discutiu com a platéia dados alarmantes: 20% dos bebês brasileiros são de mães adolescentes, número três vezes maior que na década de 70, e 55% dos jovens entre 16 e 25 anos não usam preservativo nas relações sexuais.

Para o médico, os dados resultam em graves implicações sociais e de saúde. Falta acesso à informação. A maior parte dessas gestações ocorre entre a população de baixa renda e é encarada como algo natural nessa idade, ressaltou George Caldas. Ele falou também sobre as implicações da gravidez na adolescência: maior índice de abortamento, de doenças hipertensivas e de partos prematuros, já que a capacidade orgânica para encarar a gravidez é bem menor. Outro dado preocupante é que 40% das gestantes adolescentes não querem ser mãe tão cedo.

Quanto à iniciativa do Tribunal de Justiça em realizar o seminário, o médico disse que foi muito importante diversificar o debate, incluindo na programação temas nos quais o poder público tem capacidade de ação. Seminários como esse servem também para desencadear ações positivas. Que seja o primeiro de muitos outros, opinou George Caldas. A odontóloga sanitarista e membro da ONG Grande Síntese, Sônia Azevedo, que ministrou uma palestra sobre O terreno fértil do coração, também elogiou a iniciativa do Poder Judiciário.

O seminário é importante desde que saia do debate e parta para soluções concretas. E eu sei que o Tribunal de Justiça está viabilizando um grande projeto nesse sentido, ressaltou Sônia Azevedo. Em sua palestra, ela falou que valores essenciais como o amor, a solidariedade e a paz se perderam ao longo do tempo. E o distanciamento desses valores foi o que levou a humanidade a essa crise sem precedentes. Eles precisam ser resgatados. O amor não é utopia. Ele tem poder infinito na vida de qualquer elemento, avaliou.

A diretora da Escola de Administração Judiciária (ESAJ), Ana Medina, fez um balanço positivo do seminário. Foi um evento muito concorrido. Várias pessoas perguntaram quando teremos outro e ficaram felizes pela oportunidade de fazer do auditório do Tribunal de Justiça um local de reflexão. Foi algo que fez diferença nesses três dias e cristalizou o pensamento da Presidente Célia Pinheiro, de voltar nossas atenções a problemática de crianças e adolescentes, explicou Ana Medina.

Quem participou dos três dias do seminário disse que aprendeu muito. Foi o caso de Maristela Tomás dos Santos, estudante de Direito e membro do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Cristóvão. Fiquei muito feliz porque estou me formando o próximo ano em Direito e tinha uma angústia em ver o Judiciário encastelado, preso em suas leis. Dos últimos anos para cá notei uma mudança de postura, um diálogo maior. O Poder Judiciário está sensibilizando a sociedade para outros valores que vão muito além da lei, parabenizou Maristela.

Exposição

Além das palestras, a exposição fotográfica Infância e Adolescência Retratadas também chamou a atenção do público. Foram colocadas em painéis, com textos da diretora da ESAJ, Ana Medina, fotos de Álvaro Vilela, Walter Chou, Tanit Bezerra, Ivan Masafret, Maria Odília, Marcel Nauer e Gorete. As fotos retrataram o universo infantil em seus mais diversos aspectos, inclusive o cotidiano de pobreza e simplicidade em que muitas crianças estão mergulhadas.