Julgar é tarefa que os homens somente podem exercer bem, quando estejam despojados da supremacia do ego. É atividade que deve ser comandada pelo Eu, essência divina que anima o ser. Por isso o Juiz deve aprimorar o ego de tal sorte que ele seja o reflexo de sua essência, realizando em si mesmo a divindade que recebeu em semente, no momento de sua criação.
Para isso, mais que censor de condutas alheias, deverá destacar-se na censura de seus próprios atos. Seu comportamento deverá modelar o de seus jurisdicionados, apesar de sua fragilidade humana. Será uma combinação harmoniosa de firmeza no combate à injustiça e compreensão com os desafortunados sociais. Solidariedade ao inocente e justiça ao infrator sem incorporar a ira dos perseguidos nem aceitar a covarde omissão dos que se dobram ante a prepotência.
Esse é o retrato que tenho do magistrado de nossa terra a quem me dirijo em seu dia, tributando-lhe merecida homenagem. O Juiz será sempre a garantia do Estado de Direito, o arauto da liberdade, o apóstolo da paz, o supremo sacerdote da justiça. De suas decisões brotará um novo espaço social onde o homem se submeterá aos ditames da lei que pela ação inteligente do magistrado, será o penhor de um mundo onde as palavras despontem da sementeira da verdade e o trabalho de todos construa um mundo onde o progresso e a paz caminhem de mãos dadas.
Desembargadora Célia Pinheiro